E lá se vão quatro anos e meio de ''Sr. Brasil''. O tempo passou assim, digamos, rapidinho, bem no ritmo de um trem pelo interior do País. O programa da TV Cultura mais parece a casa (ou a extensão dela) de Rolando Boldrin. Toda terça, ele leva para lá convidados ilustres, conhecidos ou não, mas sempre bons representantes da música brasileira. A atração raramente passa da faixa dos 2 pontos de audiência, mas número não é a questão principal. O que fala mais alto é a qualidade. Não é sempre que se pode ver Gilberto Gil, Milton Nascimento, Emílio Santiago, Ney Matogrosso e Fagner cantando à capela, sentados num banquinho (ou em pé mesmo) com violeiros famosos ao lado.
''Pode-se dizer que o programa é, sim, continuação da minha casa. Sou ator, mas, quando estou no meu cenário, estou de corpo e alma. Voltado para minha casa, minha gente, infância, pais, irmãos, amigos, cidade... tudo ali sou eu. Meus sentimentos afloram por meio dos artistas que recebo. Eles cantam o que é nosso. Sem nenhuma interferência de fora'', filosofa Boldrin.
Boldrin conta que, antes do projeto do programa, que criou nos anos 80, a música brasileira era somente samba. ''Os grandes historiadores da nossa música tratavam do assunto musical sempre focando os grandes sambistas do Rio e da Bahia. A exemplo de Noel Rosa, Almirante, Sinhô, Cartola, Ismael etc. Eu, desde mocinho, achava injusto com as outras culturas regionais. Somos um país com uma infinidade de ritmos brasileiros, do Norte, do Nordeste, do Sul, mineiro, goiano... o grande Luiz Gonzaga e tantos outros, como Jakson do Pandeiro, acabaram por impor os ritmos nordestinos'', diz.
Num país que muitos dizem não ter memória, Boldrin não pode se queixar. Em 2010, ele será homenageado por uma escola de samba de São Paulo. ''Estes ''brasís' que eu canto e conto estarão desfilando no sambódromo com a escola de samba Pérola Negra. O samba-enredo conta a minha história de amar o Brasil. O tema é 'Vamos Tirar o Brasil da Gaveta'.'' Alguém duvida de que ele vá ser aplaudido?

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