Spotlight, para reposição urgente
Exibido em Londrina há menos de um mês no Cinemark Boulevard, "Spotlight Segredos Revelados", o grande vencedor do Oscar, saiu de cartaz com uma semana de exibição. Misteriosamente. Estranho por vários motivos. Não é um filme sem ação. Pelo contrário: é intrigante, descomplicado, fácil de seguir, tem elenco de rara eficiência e empatia, tem suspense genuíno (mesmo que o espectador saiba o final, já que é daqueles inspirados em fatos reais, terríveis, mas reais) e segue naquela mesma linha de "Todos os Homens do Presidente", onde nitidamente buscou saudável inspiração e cumplicidade. É um trabalho de rara nobreza. Pouca gente viu.
De que trata? Na vertente do jornalismo investigativo, o também premiado roteiro se ocupa de seguir dia a dia a pequena, mas muito ativa, equipe de jornalistas do jornal The Boston Globe, que em 2001 puxou o fio da meada e descobriu que, por trás de um par de casos aparentemente isolados de abusos sexuais de menores nas paróquias da cidade, na verdade se escondiam milhares de casos idênticos, cometidos durante anos e ocultados sistematicamente não apenas pelo arcebispado, mas também pela Justiça.
Distante do sensacionalismo e do mórbido, "Spotlight" renega sistematicamente a criação da espetacularização, registrando o dia a dia de um grupo de profissionais da imprensa no qual ninguém quer ser herói, mas simplesmente gente que erra e acerta, fazendo seu trabalho da melhor maneira possível. Um prêmio para o ensemble, o coletivo de atores, também cairia muito bem.
Como também a reposição em qualquer tela do circuito local, até como serviço de utilidade pública. Ou saneamento moral básico. (C.E.L.J.)





