O popular cineasta norte-americano Steven Spielberg inaugurou ontem a 55ª edição do Festival de Cinema de Veneza com seu filme ‘‘O resgate do Soldado Ryan’’, cujo impacto emocionou o público.
‘‘Espero que este filme sirva para ensinar aos jovens o respeito e o amor pela história’’, assegurou Spielberg durante uma concorrida coletiva de imprensa no Palácio do Cinema. O diretor estava acompanhado por seu amigo pessoal e protagonista do filme, o ator Tom Hanks.
A cruel e violenta história do desembarque das forças aliadas na Normandia, em 6 de junho de 1944, uma das maiores operações militares deste século, é narrada com toda a técnica e genialidade que possui o diretor de ‘‘E.T’’ e ‘‘A lista de Schindler’’.
A espetacular recriação da Segunda Guerra Mundial, filmada em 4 semanas, na Irlanda e em Londres, usando 90% de câmera de mão, arrecadou 150 milhões de dólares nos Estados Unidos e está baseada nos relatos dos veteranos e nas oito fotografias que Robert Capa tirou na praia de Omaha, onde desembarcaram os soldados norte-americanos sob fogo alemão.
Uma impressionante maré de sangue invade a tela para refletir, com mais de 24 intermináveis minutos de imagens atrozes, o massacre da Normandia, vista pelos olhos de quem participou, soldados divididos entre a confusão, as explosões, os corpos destroçados e o dever.
Spielberg, que conta com mais de vinte filmes entre os mais vistos no mundo inteiro, quis, com esta nova obra, despertar uma consciência pacifista, mostrando a realidade sangrenta da guerra.
‘‘Ódio à guerra’’, reiterou o cineasta em Veneza, onde o filme foi lançado para o público europeu.
Depois de seu magistral início, na parte dedicada à busca de Ryan, o soldado que o governo americano quer enviar para casa depois da morte de seus três irmãos em combate, o filme de Spielberg alterna momentos emocionantes, com as clássicas imagens de filmes de combate e o tradicional sentimentalismo patriota da cinematografia norte-americana.
‘‘Eu conto a guerra do ponto de vista norte-americano’’, disse o cineasta, que afirmou que ‘‘os jovens que hoje crescem entre videogames e filmes sangrentos, nos quais a dor e a morte são meros jogos, estão anestesiados em relação à violência’’.
O final feliz de seu filme corresponde ao princípio de que toda tragédia deve ser concluída com a redenção e a idéia de que não se repita uma das maiores tragédias da história recente.
Para dar veracidade à obra, o diretor obrigou os protagonistas, inclusive seu amigo pessoal, Tom Hanks, a suportar um duro treinamento militar ao estilo daquela época, sem os privilégios de sua consagrada posição de ganhador de dois Oscars.
‘‘Os atores de Hollywood são muito mimados; têm massagistas, secretárias, treinadores pessoais. Achei necessário que todos nós sofrêssemos de alguma forma’’, confessou Spielberg.France PresseTom Hanks, protagonista do filme de Steven Spielberg, com o
diretor na abertura do Festival de Veneza: sucesso na estréiaKelly Velásquez
France Presse

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