Paulo Borges, diretor da São Paulo Fashion Week (SPFW), diz que ''o que interessa é 2016''. A proposta é pensar nos próximos 10 anos e consolidar a moda brasileira no mercado internacional. Borges costuma dizer que a Itália levou 30 anos para conquistar o espaço no mundo. A SPFW tem apenas 10 anos, mas o diretor ainda lembra nitidamente das frequentes perguntas que ouvia logo no início da história toda. ''O que é esse evento, para que serve, vai ter outro?'', conta. Ao longo da última década, todas as respostas foram mais do que dadas. É o maior evento de moda da América Latina, serve para consolidar a criação nacional e sim, outras edições virão.
Mas em ano de Copa do Mundo, a maioria dos brasileiros quer mesmo é saber de 2006, do precioso hexacampeonato. O mundo da moda, apesar de muitas vezes ser chamado de mundinho, também está ligado no que vai acontecer na Alemanha. A torcida fashion até apareceu na quarta-feira, primeiro dia de desfiles. A grife de moda praia Rosa Chá brinca com as cores da bandeira para fazer uma estampa que já marcou um dos gols da temporada. Os tons, como pede o outono-inverno, são esmaecidos. Então nada do verde-e-amarelo gritante. Eles vêm mais suaves, mas a frase ''Ordem e Progresso'' continua bem à vista.
Outro golaço da quarta-feira foi a estréia da estilista carioca Patrícia Viera. Conhecida por seu trabalho precioso no couro, Patrícia consegue transformar a matéria-prima em peças até então inimagináveis. A estilista faz escamas e até rendas - cada vazadinho é feito pacientemente a mão. Também estampa e amacia dando cara de tecido ao couro, surpreendendo a cada novo modelo que entra na passarela. Com um olho no clássico, a modelagem chega chique e delgada. Saias lápis estampadas com clássicos como o pied-poule ou espinha de peixe são um delírio fashion. Pela primeira vez Patrícia usou tecido, mas acabou escondendo o tule sob paetês de couro ou folhas de outono.
Artilheiro fashion, Alexandre Herchcovitch está sempre fazendo a rede balançar. No desfile feminino, o balanço ficou por conta das saias rodadas com delicadíssimas flores de metal na barra. O vestido longo é na verdade uma maxicamiseta. O verde das nossas florestas aparece na estampa que levanta a torcida. Vem de Herchcovitch, a passarela mais colorida do dia, com o laranja contrastando com o preto. Mas é pincelada rápida.
O outono-inverno 2006 parece estar mesmo encaminhando para uma ausência de cores. A Zoomp aposta na elegância da combinação do jeans com o bege. O cinza, o preto e o branco também aparecem. Na coleção gótica da mineira Vide Bula, o tom é escuro, como não poderia deixar de ser.
Mario Queiroz lembra os românticos anos 20 e brinca com o cós das calças masculinas, numa volta do clochard (o cinto fica bem abaixo do cós). Guerreiros românticos invadem a passarela de barro batido da Uma. Os uniformes têm materiais nobres como o tafetá amassado. As formas são amplas para não comprometer os movimentos.
Ontem de manhã, dois desfiles aconteceram fora dos limites do Parque do Ibirapuera. Maria Bonita celebrou a volta a SPFW com um pocket-show (de uma única música aliás) de Marina Lima, em plena loja da grife na rua Oscar Freire. O minimalismo branco da decoração inspira a coleção cinza, branca e preta. As formas são retas e secas de uma elegância moderna. Já a jovem Cavalera é pura extravagância. Tanto nas formas - abundantes -, quanto no cenário: o belíssimo jardim do Museu do Ipiranga. A beleza da renda renascença (vinda da Paraíba) é presente para os olhos, lembrando que o Brasil do futebol também é campeão no trabalho artesanal.
A jornalista Karla Matida viajou a São Paulo a convite da organização do evento.

Serviço:
Desfiles de hoje
- 11 horas - Fause Haten
- 14h30 - Pedro Lourenço
- 15h30 - Cori
- 16h30 - Neon
- 18 horas - Maxime Perelmuter
- 19 horas - Karlla Girotto
- 20 horas - Forum
- 21h30 - Cavalera (masculino)

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