Soulfly sobe ao palco em clima de adoração à figura de Max Cavalera
Olinda, PE, 10 (AE) - O público estimado, na noite de sábado, foi de 8 mil pessoas. Era o dia do show do Soulfly. A maioria estava ali para assistir à apresentação da banda americana de Max Cavalera. O show satisfez o público, mas não foi a melhor apresentação que ocorreu entre as bandas famosas do festival. Soulfly atrasou um pouco a sua entrada, aproveitou o fato de ser venerado pelos fãs e criou um clima de expectativa ainda maior. Ao primeiro grito visceral de Max, o público ficou atento à barulheira.
Outra banda que também não trouxe novidades estéticas foi o Paralamas, que fez, sem dúvida, o show mais burocrático do festival. O Abril Pro Rock foi apenas mais uma data na agenda lotada do grupo pop star nacional. Quem saiu desse esquemão e se deu bem foi Los Hermanos. Eles encerraram o festival tocando um ótimo hardcore. Uma grande surpresa.
O show do Soulfly ocorreu em clima de adoração à figura de Max Cavalera. A noite, por ser muito pesada, foi mais cansativa. Após os primeiros 25 minutos de show da banda, o som tornou-se chato e a saudade do Sepultura foi imediata. Parece até que Max adivinhou, pois não deixou o transe coletivo enfraquecer e tocou os principais sucessos como "Bleed" e "Spit". E o melhor: "Roots" e "Attitudes", da fase do Sepultura.
Max Cavalera mostrou músicas do novo CD, "Primitive", como "Mulambo", em homenagem a Chico Science e "Primitivo". O CD, produzido por Toby Wright, tem 12 músicas e será lançado entre julho e agosto. "Primitive" também tem convidados. Chico Moreno, vocalista do Deftones, participa da faixa "Pain"; Tom Araya, do Slayer, divide os vocais com Max em "Terrorist" e ainda há uma música de Sean Lennon. Max veio acompanhado por uma formação diferente de quando esteve no Brasil, em 98. Só permaneceu o baixista Marcelo Rapp.
A noite de peso teve outras bandas conhecidas: Sheik Tosado, considerada revelação no ano passado, fez um ótimo show, ganhando o público da noite. Ele colocou no palco dois palhaços papangus, figuras folclóricas do tradicional carnaval de Olinda. Ficou muito divertido. O grupo deixou a galera aquecida para curtir o melhor apresentação da noite, o show dos Devotos.
O grupo pernambucano também se ateve aos sucessos, mas cantou algumas músicas novas, como "Selvagem". Em breve, Os Devotos lançam o segundo CD, que tem 14 faixas e foi gravado e produzido no Estúdio de Dado Villa-Lobos. O público participou em coro, da maioria das canções. Foi a mais carismática de todas as bandas que já estão no cenário musical. (J.R.)





