'Sou um afroempreendedor'
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quinta-feira, 31 de janeiro de 2019
Marian Trigueiros <br> Reportagem Local 
Com a proximidade do carnaval, Serjão Loroza está em ritmo intenso de trabalho. Entre shows do que chama de "Baile do Loroza" por todo o Brasil, divide sua agenda com outras atividades. Afinal, além de cantor, é ator, compositor, empresário do ramo de bebidas e, agora, apresentador. Mas faz questão de frisar que também é "bailarino e coreógrafo", por conta de sua participação no quadro Dança dos Famosos, no Domingão do Faustão. Aliás, brincar com a própria trajetória é comum em sua fala, sempre com muito alto astral e bom humor. "Me considero um negão de sorte", disse, em entrevista por telefone. "Mas a sorte não cai no meu colo, preciso fazer as coisas acontecerem. Não dá para parar de trabalhar e criar. Como dizem por aí, tem que ser empreendedor. No meu caso, sou um afroempreendedor", acrescenta ele, sobre o fato de realizar vários projetos diferentes ao mesmo tempo, como o clipe que vai começar a gravar para lançar no carnaval e do programa de televisão que acaba de estrear. Ainda encontrou uma brecha para lançar a cachaça "DoLoroza", cuja marca faz uma analogia ao seu nome.

Quem vê o multifacetado artista ora no palco, ora na televisão, ora na internet, talvez não saiba que, há duas décadas, o jovem de Madureira, subúrbio do Rio de Janeiro, nem de longe sonhava com o que estaria por vir quando começou, em 1998, na minissérie "Hilda Furacão". De lá para cá, deu vida a outros vários personagens, mas foi com o personagem Figueirinha, em "A Diarista", que começou a ganhar notoriedade. Um pouco antes, também lançava-se ao grupo Monobloco, responsável por uma reviravolta musical em sua vida. "A gente apareceu com algo novo que surpreendeu o público. Era uma mistura de ritmos com instrumentos de percussão. Demos uma cara diferente para o carnaval que segue forte até hoje", comenta ele, que deixou o grupo em 2006 para seguir carreira solo, ainda que com produção de forma coletiva. O primeiro trabalho individual foi CD "MBP - Música Brasileira de Pista", lançado em 2007.
Depois disso, ainda vieram os trabalhos "Loroza e Us Madureira Ao Vivo" (2010) e "Carpe Diem" (2013) que foram concebidos, produzidos e dirigidos pelo próprio Loroza. "Apesar de conhecer a linguagem musical, não tenho formação acadêmica, mas faço isso desde a época de Madureira. Não sou maestro porque seria muito prepotente da minha parte, mas toda a concepção musical sai da minha cabeça. Eu posso não ser nada, mas meus músicos são os melhores. Ele compram minhas ideias sempre trazendo algo além com uma roupagem incrível", detalha sobre a fusão de gêneros como samba, soul, funk, reggae, pop que a banda apresenta. Tudo, obviamente, regado a muita percussão e instrumentos. "Lá na 'gringa', eles chamam o que a gente faz de 'brazilian jazz', por causa da mistura de sonoridades dos instrumentos como repique, bandolim, além dos metais como trompete e saxofone. No final, o que eu quero é ver a galera dançando e se divertindo através da minha arte", contou.
Com a carreira musical e televisiva em alta, aos 52 anos, Serjão está arriscando outras possibilidades. Atualmente, produz, escreve, dirige e atua no espetáculo teatral "Caô". Porém, sua mais recente produção é o "Loroza Talk Soul", programa de entrevista transmitido pelo Facebook, ao vivo, numa parceria com a Broders Filmes, em que conversa com cantores, atores, comediantes e personalidades influentes, que representam a consciência negra, para apresentações musicais e debates sobre temas atuais relacionados às artes e questões sociais. "Fizemos com a cara a coragem, sem nenhum tipo de investimento. Depois corremos atrás das televisões", detalha, sobre parceria com a direção de Cassius Cordeiro, sócio fundador e diretor criativo da Broders, que assina a produção da atração. A ideia deu tão certo que, na semana passada, o programa reestreou na TV a cabo, no canal Music Box Brasil. O multiartista também mantém um canal no YouTube.


