'SOU O REI DA BAIXARIA'
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segunda-feira, 04 de setembro de 2000
Leandro Calixto TV Press 
O apresentador Ratinho é o primeiro a reconhecer: Se no Brasil existe o rei do futebol, a rainha dos baixinhos e o rei da música, eu sou o rei da baixaria. Próximo a completar dois anos de SBT, Ratinho comemora o sucesso do programa que mantém uma média de 18 pontos no Ibope. Isto porque o Programa do Ratinho bate de frente com a bem-sucedida novela Laços de Família, da Globo, que tem registrado média de 50 pontos. Consegui comprovar com meu programa que brasileiro também gosta de outras coisas, além de novelas, imagina o apresentador de 44 anos. É apostando na linha bem popular que Ratinho espera não ser mais um efêmero fenômeno da televisão brasileira.
Com expressivos índices de audiência desde que deixou a CNT em 97 para ser contratado pela Record, Ratinho acredita que conquistou o público definitivamente. Para isso, ele lembra que vem promovendo constantes reformulações no programa, que deixou de mostrar pessoas com deficiências físicas. Através de uma pesquisa, descobrimos que mais de 20% das pessoas que assistem ao programa são crianças. Elas ficavam chocadas com isso, explica o apresentador. Mas não é bem assim. A Justiça foi quem determinou que o programa estava proibido de levar pessoas doentes ao ar. Só que confrontos físicos entre familiares e vizinhos, por exemplo, continuam sendo uma tônica do programa. A verdade é o que grande público gosta de ver uma porradaria, enfatiza.
Quando você surgiu, muitos apostaram que seria mais um fenômeno passageiro da televisão brasileira. A que você atribui continuar tendo expressivos índices de audiência depois de três anos?
Meu programa não ficou fazendo uma coisa só. Fui renovando com o tempo. Não sei se para melhor ou para pior, mas fui mudando. Deixamos de levar pessoas doentes e a Justiça também proibiu que a gente mostrasse brigas no ar. Mas o programa não perdeu a espontaneidade. O telespectador não sabe o que acontecer vai no dia. Pode ter calouro como também uma denúncia, ou uma prova de DNA e até uma confusão. O programa é muito aberto. De repente a gente coloca uma luta de boxe no ar e se tiver dando audiência a gente deixa o pau quebrar.
E você acha que tudo vale a pena na luta pela audiência?
Meu programa simplesmente é o retrato do Brasil. Por isso muita gente se identifica com ele. Mas percebi que o público gosta mais do Ratinho engraçado do que do bravo. Esta é uma tendência do meu programa. Quero fazer algo bem ao estilo do Chacrinha. Com o tempo, vou fazer isto. Um programa de calouros onde todo mundo canta, dança e também aberto para denúncias sociais.
Você concorda que tenha exagerado em alguns casos no seu programa?
Com certeza. No sequestro do Wellington, irmão do cantor Zezé Di Camargo, por exemplo, extrapolei quando disse que iria arrecadar fundos para pagar o resgate. Mas só quis ajudar. Estava desconfiado porque o caso estava demorando muito. Só que o Zezé tentou colocar a culpa em mim. Graças a Deus a polícia conseguiu resolver o problema, senão iriam acabar com minha carreira na televisão. A imprensa e a família do Zezé tentaram colocar a opinião pública contra mim.
O SBT tem a fama de alterar constantemente a grade programação. O Sílvio Santos vem cumprindo tudo que prometeu a você?
Só saio do SBT se o Sílvio me mandar embora. Ele tem sido sensacional comigo. Quando sofria aquela pressão danada da imprensa, ele me chamava e dizia que aquilo era normal. Ele me contou que também passou por tudo que passei no início da carreira dele. Estou feliz na emissora e ele me dá total autonomia para comandar meu programa. Não sofro qualquer tipo de pressão.
Recentemente a Globo fez um especial da série TV Ano 50 homenageando vários apresentadores de programas de auditório. Como você se viu ficando de fora?
Fiquei triste porque queria participar daquela festa. Também gostaria de conhecer as instalações da Globo no Projac. Faço parte da história da televisão. Só que incomodo muito. A vida é assim mesmo.


