Sou filha do dono da pedreira
PUBLICAÇÃO
sábado, 09 de agosto de 1997
Zeca Corrêa Leite Curitiba 
Arquivo FolhaEstrela Leminski: as pessoas pedem ingressos quando tem show na pedreira Se tem uma coisa chata para Estrela Leminski, 16 anos, filha dos poetas Paulo Leminski e Alice Ruiz, são as observações que a garotada lhe faz quando ela se apresenta. O sobrenome é conhecidíssimo da nova geração, por causa da Pedreira Paulo Leminski. Você é filha do dono da pedreira?, perguntam admirados. Nessas horas Estrela sente-se uma rochinha.
A turma de sua geração não sabe quem foi seu pai, como também desconhece sua mãe. As excessões agradam a garota. Qualquer um que lê os poemas dos meus pais e vem comentar comigo, eu gosto. O comum, no entanto, são as informações desencontradas.
Os jovens têm Estrela como filha de um homem muito rico. Afinal não é qualquer um que tem dinheiro para comprar uma pedreira. Quando são anunciados shows no local, ela quer sumir - chovem pedidos de convites.
O pessoal mais velho nunca fez isso, só os da minha idade, declara. A saída, acredita ela, seria a inclusão de escritores paranaenses nas aulas de literatura dos colégios. Nada contra Camões ou Machado de Assis. Mas não custa dedicar uma aula para falar de Paulo Leminski, de Helena Kolody. Ninguém conhece os paranaenses, reclama.
FanzineAs letras rondam Estrela. Há três anos ela publicou uma série de crônicas no suplemento Folha Viva Curitiba, que circula às sextas-feiras na Capital. Estava com 13 anos. Quando demonstrou interesse pelo mesmo caminho que marcou os destinos do pai e da mãe, veio o peso do sobrenome.
Assim como veio, se foi. Cobrei tanto das pessoas, para não me cobrarem, que passou, relata. A imagem do pai nunca foi empecilho para a garota praticar suas escritas. Ela tem bem claro em sua cabeça a individualidade.
No momento escreve de leve, por falta de tempo. Além de estudar (faz o 2º ano do 2º grau), faz street dance, namora e gosta de andar de bicicleta. Prepara com mais três amigos o primeiro número do fanzine Rebelde sem Calça. A natureza leminskiana continua.


