Sotaque carregado
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segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
Geraldo Bessa <br>TV Press 
Falante e cheia de simpatia, Juliana Paes confessa estar totalmente imersa na cultura nordestina. Para dar vida à impulsiva Janaína em ''A Justiceira de Olinda'', primeiro episódio da série ''As Brasileiras'', com previsão de estreia para o dia 2 de fevereiro, a atriz teve que caprichar no sotaque e pesquisar o cotidiano das mulheres pernambucanas. ''Fazer o sotaque de forma convincente é uma das partes mais difíceis do processo. Pernambuco tem gírias e um jeito bem característico de falar. Em Olinda, especialmente, eles falam bem rápido, mas acho que deu para enganar'', brinca Juliana, natural de Rio Bonito, interior do Rio de Janeiro.
A nova série é derivada da repercussão obtida pela Globo com ''As Cariocas'', de 2010. Em 22 episódios, a equipe de Daniel Filho, idealizador e diretor principal de ambas as séries, vai além dos bairros cariocas e viajará pelos estados do Brasil em histórias como ''A Inocente de Brasília'', protagonizado por Cláudia Jimenez, e ''A Sexóloga de Floripa'', com Leandra Leal como atriz principal. Juliana não esconde a empolgação de estar no projeto e vibrou ao saber que seu episódio seria o cartão de visitas da nova série. ''O elenco é incrível. Queria ter participado de 'As Cariocas', mas estava grávida. Topei na hora quando o Daniel (Filho) me convidou para 'As Brasileiras'. É tudo feito com muito carinho'', elogia.
Logo que recebeu o roteiro, Juliana surpreendeu-se com o jeito desaforado e com a situação inusitada na qual a personagem se envolve. Na trama, Janaína é casada com Anderson, de Marcos Palmeira. Fogosa e cheia de amor para dar, ela começa a sentir certo distanciamento do marido e passa a desconfiar que ele esteja tendo um caso com outra. A dúvida chega ao ápice quando ela acha que Anderson está a traindo com uma de suas melhores amigas, Valquíria, de Leona Cavalli. ''Nunca tinha feito uma personagem tão explosiva. É uma mulher que não tem papas na língua. No momento em que acha que está sendo traída, ela faz a primeira besteira que vem à cabeça'', conta.
O fato de Juliana estar no episódio de estreia tem ligação direta com seu próximo trabalho na tevê, a personagem-título de ''Gabriela'', nova adaptação da obra de Jorge Amado, agora sob a responsabilidade de Walcy Carrasco. Com formato mais curto, assim como em ''O Astro'', a novela tem previsão de estreia para julho. E, a pedido da direção da emissora, a atriz terá de resguardar sua imagem nos próximos meses. ''Vou ficar quietinha, apenas malhando, pegando sol e deixando o cabelo e a sobrancelha crescerem'', descreve, aos risos. Nos bastidores do ''remake'', além da preparação natural, Juliana já começa a experimentar o figurino e a ter aulas de prosódia. Só que agora, para achar o tom exato do sotaque da personagem baiana, eternizada por Sônia Braga. ''São dois trabalhos seguidos com sotaque. Estou ficando 'expert'. O sotaque baiano é aquela coisa mais malemolente, mais devagar'', avalia.
Acostumada a interpretar mulheres sensuais, Juliana sabe a responsabilidade que é dar vida a Gabriela e não se intimida com possíveis comparações que surgirão em relação à novela original. ''A Sônia se tornou um símbolo de mulher brasileira. Gosto do trabalho dela e a respeito. Anormal seria não haver comparações. Estou feliz com a oportunidade'', assume. Depois de ler os principais livros de Jorge Amado, Juliana sabe a importância das figuras femininas do universo do autor. Por isso, a maior preocupação da atriz está em interpretar bem a liberdade da personagem em relação à beleza e à sexualidade. ''Quero fazer uma Gabriela de que Jorge Amado pudesse se orgulhar'', avisa.


