A artista plástica Yoshiya Nakagawara Ferreira está em plena campanha para salvar o Espaço de Cultura de Londrina, que pode fechar por falta de verbas
O Espaço de Cultura Catuaí pode estar prestes a entrar para a triste lista dos ‘‘fechados por falta de verbas’’. Segundo a artista plástica Yoshiya Nakagawara Ferreira se não forem arrecadados cerca de 10 mil reais nos próximos dias, o espaço será realmente fechado. ‘‘É muito triste, afinal são oito anos de apoio à arte londrinense’’, explica Yoshiya, que além de ser uma das fundadoras, também é diretora voluntária do Espaço. ‘‘Faço tudo por livre e espontânea vontade e sem ganhar nada por isso’’, diz.
Até março, o Espaço tinha uma despesa mensal de R$ 600,00 (entre condomínio, luz, fundo de reserva e auxílio decoração de natal). A partir de abril, o condomínio passou para R$ 1.938,00. Desde então, as taxas do espaço estão atrasadas.
Em plena campanha para não deixar o espaço fechar, a artista plástica já listou cerca de 56 empresas que serão consultadas para uma possível colaboração financeira. ‘‘Não vou deixar o Espaço acabar sem lutar por ele’’, afirma Yoshiya. ‘‘Vou atrás principalmente das empresas que ganharam terrenos da prefeitura. Acho que em alguma coisa elas precisam investir’’, completa.
O fato de recorrer ao patrocínio dos empresários londrinenses foi a forma encontrada pela artista plástica para o não fechamento do Espaço. ‘‘Só este ano fui seis vezes à Secretaria Municipal de Cultura, mas não fui recebida. Mas eu já conheço o discurso de que ‘a prefeitura não repassa verbas’’’, lembra a artista plástica. ‘‘Eu sinto um desânimo geral em Londrina no meio cultural. Todo mundo luta tanto, mas ainda falta formar uma frente de força que consiga unir o segmento, dando força política para a cultura’’, explica Yoshiya, que até se propõe a liderar o movimento. ‘‘Precisamos urgente de uma política de ação cultural’’, enfatiza.
Por dois anos consecutivos, o Espaço teve seus projetos culturais reprovados pela comissão cultural da Lei de Incentivo. ‘‘No ano passado, a secretaria nos repassou R$ 3 mil, mas acabou não dando nem para os gastos de um mês’’, lembra a diretora. Além do condomínio do Shopping, é preciso arcar com o salário de dois funcionários efetivos.
De acordo com Yoshiya Nakagawara um grupo de 16 artistas londrinenses ‘‘está se cotizando para ajudar o Espaço. Mas não vai conseguir manter o espaço depois’’, afirma.
De acordo com Elcy Oliveira diretora administrativa financeira do Catuaí Shopping Center, o fato do condomínio do Espaço de Cultura Catuaí ter passado de R$ 600,00 para R$ 1.938,00 acontece porque até então ele era subsidiado pelos empreendedores do Shopping. ‘‘Se fôssemos cobrar também o fundo de promoção esse valor passaria a R$ 3.076,00’’, afirma Elcy. ‘‘O Espaço tinha um contrato de comodato com o Catuaí, mas ele já está vencido há tempos’’, explica Elcy. ‘‘Mesmo assim, o Catuaí Shopping Center continua a não cobrar o aluguel do Espaço, que nos valores de hoje (para uma loja de 110 metros quadrados) seria de R$ 4.950,00’’, completa. ‘‘O Catuaí sempre procurou incentivar e divulgar a cultura e por isso deixa de receber o aluguel. Mas também já não dá mais para pagar por isso.’’ Para a diretora, ‘‘o Espaço se descaracterizou, e passou a vender presentes’’.
Fundado por um grupo de 11 artistas plásticos e arquitetos londrinenses, o Espaço de Cultura do Catuaí sempre procurou dar apoio aos artistas locais. Mas também nunca deixou de prestigiar os grandes nomes da arte brasileira. Caso da artista plástica Tomie Ohtake, que esteve em Londrina para inaugurar o Espaço.
Segundo a diretora Yoshiya, nenhuma taxa é cobrada dos artistas para a exposição dos trabalhos. E o Espaço não mostra apenas pinturas e esculturas. ‘‘Já fizemos lançamentos de livros e música também’’, lembra Yoshiya.

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