S.O.S. do cinema para a natureza
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 14 de junho de 2007
Carlos Eduardo Lourenço Jorge<br> De Goiás, especial para a Folha 2 
Durante uma das muitas sessões competitivas do 9º FICA, este surpreendente festival sobre o meio ambiente que acontece até domingo na Cidade de Goiás, pensei, a princípio alarmado, mas em seguida convencido e alerta pelas imagens fortes e necessárias, numa verdade apenas parcialmente contestável: não pode haver filmes ruins num festival que se debruça, com toda a honestidade de propósitos possível, sobre tema tão transcendental para toda a humanidade.
Não há como. Os tratamentos dados aos assuntos podem demonstrar pouco mais, pouco menos talento de quem faz. Mas os recados batem todos na tela sempre com tais urgência que não se pode negar espaço a obras que se dispõem a denunciar, e sempre que possível, a propor soluções para crises ambientais.
A única coisa discutível por aqui é a hiper-congestionada grade de programação, que não dá trégua e leva a questionar se o próprio festival não se contradiz ao submeter a platéia a precárias condições ambientais básicas - fome, cansaço, irritação, desconforto...
''King Corn'', produção americana de 2005 na linha clássica do B-movie (B de budget/orçamento, portanto barata e boa), é documentário de longa-metragem realizado em vídeo que não esconde na feitura influências do estilo Michael Moore. O jovem diretor Aaron Woolf, que está em Goiás, e seus também muito jovens colaboradores-roteiristas-intérpretes Curt Ellis e Ian Cheney, resolveram fazer um minucioso levantamento sobre as origens do alimento que os norte-americanos comem. E a resposta resultou aterradora. A partir do ótimo trocadilho cinéfilo do título original, o vilão da história é o milho, todo poderoso na muito barata, mas mortífera cadeia alimentar de quem vive nos EUA.
Outro petardo que a seleção reservou foi ''Radiophobia'', documentário espanhol de Julio Soto. O filme é sobre o desastre ocorrido em Chernobil no dia 26 de abril de 1986, quando um ensaio para comprovar a segurança daquela central atômica deu errado e desencadeou a maior catástrofe nuclear civil da história. De Portugal veio o belíssimo ''Ainda há Pastores ?'', documentário-poema sobre os últimos remanescentes da tradição pastoril na região da Serra da Estrela, mais precisamente no local com nome tão prosaico quanto delicado, Casais de Folgosinho.(O jornalista viajou a convite da organização do festival)


