Incompreensível que o novo filme de Sophia Coppola, ''Lost in Translation'', não tenha sido escalado para a seção principal, ''Venezia 60''. Concorre, mas na seção ''Contracorrente'', de filmes alternativos, o que é um contra-senso. Delicado e ao mesmo tempo muito engraçado, o filme é a mais completa e definitiva prova que faltava para confirmar a possibilidade real de vida inteligente nos limites da comédia romântica, gênero que Hollywood de tempos para cá transformou primeiro em leviandade descartável, e mais recentemente em experiência desagradável e penosa.
Bill Murray é ator de meia-idade, outrora famoso. agora em solitária visita a Tóquio para gravar comerciais de uísque. A novata Scarlett Johansson é a jovem mulher do fotógrafo obcecado pelo trabalho. No hotel, os dois cruzam os respectivos tédios e insônias, tornam-se ótimos amigos e caem na noite da capital japonesa, descobrindo o prazer de estarem juntos enquanto durar a permanência de ambos. O que vão fazer da vida dali para a frente já é outra história.
Bill Murray ganha o papel que esperava há um bom tempo para sair do ostracismo em que se meteu. Está irresistível, e carregou toda a verve do filme para a coletiva em clima festiva e de absoluta descontração. Sophia, que vinha de ''As Virgens Suicidas'', seu ótimo longa de estréia, supera a prova do ''segundo filme'' e entra na categoria dos aprovados com louvor. (C.E.L.J.)

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