SONS PARA TODOS OS GOSTOS
Michele Muller
De Curitiba
Especial para a Folha 2
A partir de hoje, dezenas de concertos darão fim à escassa programação registrada nas últimas semanas na agenda cultural de Curitiba. A 18ª Oficina de Música, que vai até o dia 30, conta com a participação de cerca de 1,5 mil alunos e deve levar outras tantas centenas de pessoas aos teatros e bares de Curitiba, onde serão realizadas apresentações diárias de shows musicais.
O evento começa com a fase erudita, que aproveitando as comemorações aos 500 anos do descobrimento do País, dará ênfase, em quase todos os cursos, a obras de compositores brasileiros. Os 250 anos da morte de Bach também serão lembrados, e o repertório das oficinas de piano será formado com peças do compositor.
Para essa primeira etapa, foram inscritas 814 pessoas de diversos estados do Brasil e de países da América do Sul. Entre as dezenas de cursos oferecidos encontram-se duas novidades: Correptição Pianística e Introdução à Técnica de Alexander (com exercícios para a correção de postura e má posição dos instrumentistas).
No dia 20, os instrumentos clássicos darão lugar, nos teatros e nas salas de aula, às violas caipiras, pandeiros e tamborins. A Oficina de Música Popular Brasileira entra em sua 8ª edição procurando resgatar os ritmos e canções que melhor representam a MPB produzida nos últimos cem anos.
Eu pedi a todos os professores que preparassem as aulas tendo como base cerca de 20 músicas que eles consideram as mais importantes do século, conta o maestro Roberto Gnattali, coordenador do certame. Os clássicos do cancioneiro popular também serão levados ao público que frequentar as Offcinas (shows informais em bares) e os concertos oficiais que ocorrerão até o final de janeiro.
A grande atração deste ano é a vinda a Curitiba de um dos últimos representantes da velha guarda do samba: Nelson Sargento, que estará à frente do curso de Composição Popular. Não apenas os alunos poderão se beneficiar da presença do sambista. Ele também vai se apresentar ao público num show que reunirá vários professores e terá, possivelmente, participação da cantora Ivone Lara. O local e data do espetáculo ainda não estão definidos.
Assim como nos dois últimos anos, a Oficina continua com dez dias de duração. Até 1997, ocupava duas semanas da agenda dos participantes. A contenção de custos foi o principal motivo para a redução do tempo de duração. Por um lado isso até foi bom, pois antes o evento acabava ficando um pouco cansativo no final. O mais importante é que os professores organizem bem as aulas, consola-se o maestro.
A falta de verbas fez com que o evento não perdesse apenas cinco dias de atividades. Outros projetos idealizados por Gnatalli acabaram não podendo ser viabilizados. O deste ano, que consistia em fazer uma grande comemoração a um século de MPB, acabou ficando ambicioso demais para os cofres públicos.
Havia sido programada a vinda de uma série de grupos de todos os cantos do País para realizarem apresentações, com entrada franca, que abrangessem toda a riqueza da música brasileira. Ao invés de ser levado ao palco por grandes artistas, esse panorama será tema de palestras (cujas participações ainda não estão confirmadas) discutidas no auditório do Colégio Estadual do Paraná.
O orçamento da Oficina é o mesmo há quatro anos. São recolhidos R$ 200 mil através da Lei Rouanet, e outros R$ 200 mil são repassados pela Prefeitura de Curitiba. O valor foi mantido, mas tudo aumentou de preço nesse tempo. Então é inevitável que façamos alguns cortes na programação que planejamos, justifica Gnattali.
Segundo a coordenação do evento, o preço que os alunos pagam para participar dos cursos não chega a cobrir 5% do total de dinheiro gasto para a realização do evento.
PROGRAMAÇÃO
Confira alguns dos principais espetáculos da 18ª Oficina de Música
- Hoje - Concerto de abertura da 18ª Oficina de Música com a Camerata Antiqua de Curitiba, sob a regência do maestro Roberto de Regina. Às 20 horas, no Guairão (XV de Novembro s/n)
- Amanhã - Concerto com a Orquestra de Câmara da Cidade de Curitiba com regência de Atli Ellendersen. Às 21 horas, no Teatro da Reitoria
- Dia 11 - Concerto com o grupo paraibano de música antiga Camina. Às 21 horas, na Igreja São Vicente de Paulo (Jaime Reis, 531)
- Dia 12 - Concerto com o Coro da Camerata Antiqua de Curitiba, regido por Edmundo Hora. Às 19 horas, na Igreja São Vicente de Paula
- Dia 13 - Concerto com os professores do 8º Encontro de Música Antiga. Às 19 horas, no Clube Concórdia (Carlos Cavalcanti, 815)
- Dia 19 - Concerto de música barroca com professores e alunos da Oficina. Às 19 horas, no Clube Concórdia
- Dia 19 - Concerto de encerramento da fase erudita, com Orquestra e Coro da Oficina. Às 21 horas, no Canal da Música (Júlio Pernetta, 695).
- Dia 20 - Show A Cara do Brasil, com o Coral Brasileirinho, coordenado por Milton Karam e Simone Cit. O espetáculo tem participação do grupo de samba Gogó. Às 21 horas, no Teatro da Reitoria.
- Dia 21 - Concerto com a Orquestra do Conservatório de MPB. Às 21 horas, no Teatro da Reitoria (XV de Novembro 1299)
- Dia 22 - Show com o Vocal Brasileirão, sob regência de Marcos Leite. Às 21 horas, no Teatro da Reitoria.
- Dia 23 - Show de Fandango da Ilha de Valadares. Às 12 horas, no Memorial de Curitiba.
- Dia 23 - Apresentação do cantor e compositor curitibano Iso Fisher. Às 21 horas, no Teatro da Reitoria.
- Dia 24 - Show com o grupo Viola Quebrada. Às 21 horas, no Teatro da Reitoria.
- Dia 25 - Show A Tempo, com a cantora paranaense Anna Toledo. Às 21, no Teatro da Reitoria
- Dia 30 - Show de encerramento com os alunos da Oficina de MPB. Às 11 horas, no Memorial de Curitiba (Largo da Ordem)Numa maratona de claves, notas e partituras 1,5 mil alunos e professores participam, em Curitiba, da 18ª Oficina de Música
Arquivo FolhaO maestro Roberto Gnatalli coordena a Oficina de Música Popular que enfoca a produção do século 20Além de fazer show, o sambista Nelson Sargento estará à frente do curso de Composição Popular





