Ranulfo Pedreiro
De Londrina
‘‘Música étnica’’ é um termo usado, ultimamente, para designar a enorme produção que foge aos parâmetros ‘‘ocidentais’’, em contraponto às melodias comandadas pela indústria euro-americana do disco. Tão genérico quanto ‘‘world music’’, o rótulo abriga músicos de países e culturas diversas.
Agora que a world music e a música étnica – ambas são confluentes – estão conquistando uma fatia importante do mercado, atraindo jovens, novas fusões vão surgindo para agradar a fome insaciável da indústria. Ritmos africanos e do Oriente Médio se padronizam com samplers e programação eletrônica para chacoalhar as pistas e galgar as paradas de rádios comerciais.
No meio desta salada existem fatores positivos. Instrumentistas e compositores que nunca chegariam em CD ao Brasil estão ganhando espaço e apresentando coisas de qualidade. É o caso de Omar Faruk Tekbilek, compositor turco adepto do sufismo, seita que busca a reintegração do espírito humano com o divino.
Faruk traz pouca influência ocidental. Seu trabalho no disco ‘‘One Truth’’ – lançado no Brasil pela MCD (www.mcd.com.br/telefone 11-257-9744) – passa também longe do caça-níquel. A primeira faixa – ‘‘Red Skies’’ – revela um excelente violão flamenco comandado por Adam del Monte. A combinação tem ótimo resultado, principalmente porque as linguagens do flamenco e da música do oriente médio são próximas – os mouros deixaram grande influência na Península Ibérica.
Nesta mistura cabem ainda teclados e guitarras elétricas, além do djembe – também utilizado na África – e do bongô. Alguns arranjos abrem espaços para o cello e o violino. Omar Faruk toca instrumentos variados como bendir, darbuka, ney, def, baglama, zurna, kaval, zils – a maioria desconhecida na música ocidental – sinos e teclados. O repertório só escorrega em ‘‘Manhem’’, com exagerado tempero místico.
Mas, em termos gerais, ‘‘One Truth’’ é um disco bem construído, com instrumental cuidadoso e entranhado no Oriente Médio, às vezes com rápidos reflexos ocidentais que diminuem o estranhamento do ouvinte incauto.

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