Sons bem brasileiros
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 08 de janeiro de 1998
Zeca Corrêa Leite 
Curitiba
ReproduçãoAs salas de concertos no Brasil abrigam a música européia. Com raras excessões alguma coisa brasileira aparece nos programas. Por que não tentar desvendar esse mundo ainda silencioso num País essencialmente musical? Pois foi pensando nisso que surgiu ano passado o Simpósio Latino-Americano de Musicologia, dentro das atividades da Oficina de Música.
De 21 a 24 de janeiro musicólogos, pesquisadores e estudantes reúnem-se na segunda edição do encontro, que dará ênfase à pesquisa musicológica deste século e à etnomusicologia. Estamos correndo contra o tempo. A música dos séculos 19 e 20 é muito rica, mas existe pouca pesquisa sobre o tema. Precisamos recuperar urgentemente a memória, pois este material está sendo perdido, alerta Elizabeth Seraphim Prosser, coordenadora geral do evento.
Ano passado a discussão ficou em torno da produção colonial latino-americana. Agora o foco recai sobre o Brasil, sem perder de vista os países vizinhos. Mas não é preciso ir muito longe no desconhecimento - os curitibanos sabem muito pouco dos compositores locais. Ao pesquisar o assunto Elizabeth encontrou mais de 30 autores com trabalhos respeitáveis.
Dos índios à TropicáliaO Simpósio Latino-Americano de Musicologia pretende ser o mais abrangente possível, dentro de suas possibilidades. Assim sendo estará na pauta de discussões desde a música dos índios Kranô ao trabalho insano de Mário de Andrade que mapeou o cancioneiro nacional, chegando até o Tropicalismo de Caetano Veloso e Gilberto Gil.
Dois professores do exterior participam dos debates: Aurelio Tello, da Universidade da Cidade do México, e Gerard Béhage, da Universidade de Austin, Texas. Entre os temas a serem desenvolvidos estão As Reais Capelas Portuguesas e suas Influências na Prática Musical do Século 18, Considerações Sobre a Música em Cidades Goianas, Patrimônio Musical na América Latina e A Idéia de Linha Evolutiva na Música Popular Brasileira - 1962-1967.
Elisabeth Seraphim Prosser argumenta que o simpósio não fica apenas no campo das discussões. Daqui saem idéias para a efetivação e atitudes concretas para resolver os problemas levantados durante as palestras. Prova disso está na publicação que deverá ser lançada ainda durante a 16ªOficina de Música, contendo o material do evento de 97. Com essa publicação os interessados terão acesso às últimas pesquisas realizadas pelos líderes intelectuais da musicologia no País, afirma.


