SONORIDADES
''Não se conversa mais nos bares, o som não permite. O bar atualmente mais do que ponto de encontro é uma fonte de ruído urbano. Não importa que o som seja ao vivo ou não, quando há amplificação, e se torna muito forte, transforma-se em ruído, sinal acústico indesejável, independente da música que se faça''.
''Nas antigas civilizações, o músico era considerado sagrado, alguém que detinha poderes e responsabilidades. Em culturas tão diferentes como a da Grécia, Índia, China, os historiadores sempre nos lembram a preocupação dos povos em harmonizar o som, no caso a música, ao ambiente, à situação, à sociedade. Havia prescrições de tempo, lugar e o porque daquela execução. Hoje ouvimos e tocamos tudo, em toda a parte, e isso não nos torna mais felizes, pensamos que seria importante rever o assunto e avaliar a responsabilidade sonora, pelos sons que emitimos, sejam quais forem''.
''Hoje há uma infinidade de timbres sonoros artificiais, não encontráveis na natureza ou em instrumentos musicais. As possibilidades de manipulação e criação relativas a este parâmetro sonoro dão ao século XX uma qualidade tímbrica especial. A velocidade de algumas peças da música contemporânea desafia os ouvidos a acompanhá-las, como ocorreu com Giselher Klebe, compositor erudito alemão, que acreditou ser possível realizar, na música eletrônica, sequências rítmicas além do limite de velocidade executável por um instrumento. Mas comprovou com surpresas que: ''o limite de audibilidade, em que cessa a diferenciação acústica dos valores rítmicos, coincide aproximadamente com o limite do instrumentalmente executável. Ou seja, o que não pode ser tocado, também não pode ser ouvido, e, mesmo que, a velocidade desejada pudesse fornecida por meios eletrônicos os ouvidos do público não poderiam decodificar a obra...''
''Quando os sons ultrapassam os limites saudáveis para o ser humano não se trata mais de estética mas de sobrevivência. Quando o preço tecnológico é pago em doenças e baixa qualidade de vida não é mais uma questão só do músico, do ambientalista, mas de cada ser humano do planeta Terra''.





