Sônia Bridi lança livro hoje em Londrina
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 20 de agosto de 2012
Nelson Sato <br> Reportagem Local 
É possível encontrar um razoável número de livros sobre aquecimento global nas estantes, a maioria escrita por pesquisadores e recheados de dados científicos. A jornalista Sônia Bridi, da Rede Globo, também decidiu publicar um volume sobre o tema - mas com o olhar de repórter investigativa, sem a aridez que caracteriza livros de especialistas.
''Diário do Clima - Efeitos do Aquecimento Global: Um Relato em Cinco Continentes'' será lançado hoje em Londrina com a presença da autora, que fará palestra e sessão de autógrafos, às 19 horas, na Livrarias Curitiba, do Catuaí Shopping Center. O evento é organizado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), por meio do Programa de Educação Tutorial Zootécnica.
A obra traz o relato dos bastidores das viagens que a autora e o repórter cinematográfico Paulo Zero, seu marido, fizeram para mostrar os efeitos das mudanças climáticas no planeta ao longo de uma série de reportagens levadas ao ar no programa ''Fantástico'' (Globo) em 2010. Foram seis meses de aventura e trabalho percorrendo 14 países - entre eles, Peru, Bolívia, Islândia, Butão, Tanzânia, Itália e Austrália.
O livro narra o processo de realização da série, apresenta informações detalhadas sobre a situação nos lugares visitados, reúne entrevistas com autoridades mundiais no assunto e inclui caderno de fotos com 48 páginas. Sônia conta, por exemplo, como um projeto de engenharia está sendo implementado na cidade de Veneza (Itália) obrigando moradores a desocupar o primeiro andar de alguns prédios por causa da inundação.
Revela também como as secas constantes modificaram a cultura e a rotina dos fazendeiros na Austrália, onde o cultivo de frutas de clima seco substituiu o trigo e a pecuária. Em outro trecho do livro, ela fala de um momento dramático quando flagrou o desprendimento de um gigantesco bloco de gelo na Groelândia.
Editado pela Globo Livros, ''Diário do Clima'' saiu em duas versões: brochura (com orelha assinada pela jornalista Miriam Leitão) e luxo (com capa encadernada e DVD com cenas inéditas da série). O volume é o segundo título lançado pela autora. Em 2008, Sônia publicou ''Laowai: histórias de uma repórter brasileira na China''.
Catarinense de Caçador (SC), ela formou-se em Jornalismo pela UFSC. Desde 1991, é repórter da Rede Globo. Foi correspondente internacional da emissora em Londres, Nova York, Paris e Pequim. Atualmente é repórter especial do Fantástico. A seguir, leia entrevista com a autora.
Quando o tema das mudanças climáticas ganhou o primeiro plano em sua agenda de reportagens?
Não diria primeiro plano, mas essa questão sempre esteve entre as que mais gostaria de tratar em minhas reportagens. O primeiro contato mais forte com o tema ocorreu na Rio 92, quando eu era uma repórter ainda em início de carreira. Mais tarde, cobri várias convenções sobre o assunto no exterior até a divulgação em 2007 do 4º relatório de avaliação de mudanças climáticas do IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change ou Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) revelando evidências bastante perceptíveis dos efeitos das mudanças climáticas. Foi o momento em que decidi investir na série de reportagens que foram ao ar no ''Fantástico''. É um tema muito complexo, em torno do qual os cientistas às vezes erram para mais ou para menos em suas previsões. Não há uma ciência exata sobre a questão, mas uma tendência que leva a um consenso.
Você percorreu 14 países para fazer as reportagens. Como os lugares foram escolhidos?
A partir do relatório, estudamos o nível de emergência de cada lugar de acordo com o que diziam os cientistas. E o que vimos é que, se as hipóteses forem comprovadas, vários desses países poderão passar por mudanças climáticas ao mesmo tempo. A urgência nos levou a decidir pelos lugares visitados.
Em qual deles, os efeitos das mudanças climáticas lhe pareceram mais graves?
Acredito que o que está ocorrendo na Groelândia afetará o mundo inteiro. Imagine uma área coberta com 3 mil quilômetros de gelo que, com o aquecimento, subirá em 7 metros o nível da água dos oceanos. Não consigo imaginar o que poderá ocorrer em Florianópolis, capital do Estado onde nasci, no Leblon, com a Lagoa Rodrigo de Freitas. O derretimento na região triplicou o pior pesadelos dos estudiosos do assunto.
Você e sua equipe enfrentaram ambientes, climas e circunstâncias adversas durante as viagens? Poderia citar algumas situações aflitivas?
A escalada do monte Kilimanjaro, na África, foi a mais complicada. São cerca de 4 mil e 700 metros. Começamos a caminhar com o ar rarefeito às 11 da noite e só chegamos às 8h30 da manhã, completamente exautos. A gente dava um passinho, puxava e soltava o ar. Foi um exercício enorme não só físico, mas de cabeça para suportar aquela situação. Não sou uma atleta, uma montanhista, sou uma jornalista de meia idade. Vi pessoas desesperadas sendo carregadas, gente vomitando e passando mal. Senti muito medo também no Peru, em que subimos uma zona montanhosa de mula, à beira do precipício. Uma produtora local que nos acompanhava dizia o tempo todo: ai, meu Deus, ai meu Deus. Na volta, por causa do medo, preferi descer a pé.
Durante a Rio + 20, alguns climatologistas e pesquisadores brasileiros tiveram destaque na mídia ao defenderem que o aquecimento global não seria provocado pela ação humana, mas por outros fatores. Qual a sua posição sobre essa controvérsia?
No livro não tomo uma posição a favor desta ou daquela tese. É um diário de viagem no qual conto causos: revelo as dificuldades que enfrentamos, como chegamos a tal lugar, o que comemos, como os nativos vivem, enfim, reúno observações carregando o leitor para as entrevistas feitas com cientistas e informações sobre os lugares visitados. Sobre os pesquisadores céticos, digo que procurei saber se algum deles haviam publicado artigos demonstrando suas teses em publicações científicas sérias de prestígio internacional e não consegui localizar nada. Houve um caso, muito falado lá fora, do maior produtor de carvão dos Estados Unidos que financiou uma pesquisa de pesquisadores céticos da Califórnia. A conclusão a que eles chegaram é que o relatório do IPCC estava correto. Todos se converteram às previsões consensuais sobre os efeitos das mudanças climáticas.
Serviço:
Palestra de Sônia Bridi e lançamento de seu livro ''Diário do Clima''
Quando: hoje às 19h
Onde: Livrarias Curitiba, no Catuaí Shopping Center (Rodovia Celso Garcia Cid, km 377, Gleba Palhano), em Londrina
Preço do livro: R$ 39,90 (versão brochura) e R$ 54,90 (versão luxo, com cada dura e DVD com cenas inéditas da série exibida no Fantástico)
Informações: (43) 3294-8300


