Sônia Braga rouba a cena em Miami
ReproduçãoSônia Braga: sucesso em festival onde foi divulgar TietaA apresentação de Tieta do Agreste encerrou no domingo o 14º Festival de Cinema de Miami. A atriz Sônia Braga ganhou o devido espaço de estrela internacional, tendo seu trabalho reconhecido por crítica e público. Além de Sônia, o cineasta Cacá Diegues também esteve em Miami para acompanhar o festival. Mas a atriz, que tem estrelado no cinema as principais personagens dos livros de Jorge Amado (além de Tieta, fez Dona Flor e Seus Dois Maridos e Gabriela) roubou a cena.
Apesar dos encantos da Bahia e da música de Caetano Veloso no filme, Sônia rasga todos os elogios para o escritor Jorge Amado. Ele é um homem que gosta muito de sua gente e da cultura brasileira. Ele sabe descrever o mundo da política e da prostituição no Brasil, com um humor muito especial que o caracteriza. Com isso ele consegue mostrar que muitas vezes a prostituição e a política caminham juntos, num mesmo território. Em seus livros também se encontra comida, diversão, as diferenças de classes sociais, mistura de raças, de culturas e ideologias que definem a Bahia.
Mesmo com todo sucesso, a atriz paranaense, de 46 anos, fez questão de falar de sua origem humilde em Maringá (PR). Recordou que sua mãe era costureira e que ficou órfã aos 8 anos, trabalhando desde cedo para ajudar a criar os seis irmãos. Aos 14 anos comecei a trabalhar num programa infantil e aos 17 iniciava no cinema com o filme O Bandido da Luz Vermelha e também percorri o tradicional caminho das novelas.
Bye Bye BrasilSobre sua saída do Brasil há 12 anos e a sua mudança para os Estados Unidos, ela disse que o principal motivo foi a falta de trabalho que lhe interessava, no caso, no cinema. Eu teria outras opções e reconheço que tenho um público muito grande no Brasil que se interessa pelo meu trabalho. Também poderia prosseguir fazendo novelas, televisão, e até ter me tornado uma produtora ou diretora, porém, essa não era a minha prioridade.
Sônia Braga confessa, com frustração, que gostaria de trabalhar mais no Brasil. Mas para isso é preciso que a indústria do cinema seja uma coisa estável. Gostaria muito que nossos cineastas, como Cacá Diegues, Nelson Pereira dos Santos e tantos mais, pudessem ganhar a vida fazendo apenas películas, sem se preocupar com outras coisas. Mas infelizmente isso não é possível. Quando você não pode desenvolver sua profissão em seu próprio país, é necessário então se converter num exilado.
Ainda que tenha penetrado no fechado círculo de Hollywood e atuado em Mulher Aranha, além de ter sido convidada por Robert Redford para trabalhar em The Milagro Beanfield War, a carreira de Sônia Braga nos Estados Unidos está longe de alcançar a explosão que aconteceu no Brasil onde é um mito consagrado, estrelando filmes, novelas e escolhendo somente aquilo que quer fazer. Nos Estados Unidos, nesses 12 anos, faltaram papéis decisivos e principalmente uma sequência maior de trabalho para que a artista brasileira ficasse mais conhecida do público.





