Sonhos que tecem a vida
Celso Mattos
De Londrina
Confesso que entrei no cinema para ver A Vida Sonhada dos Anjos esperando não gostar do filme, pois não sou muito fã da cinematografia francesa. Mas já nos primeiros minutos de projeção percebi que estava diante de uma pequena obra-prima. Este primeiro longa-metragem de Erick Zonca é um doloroso retrato dos que ousam fugir às regras e viver à margem da vida. É um filme sobre o mal-estar contemporâneo e sobre o difícil caminho para a maturidade.
A Vida Sonhada dos Anjos conta a história de duas jovens Isa (Élodie Bouchez) e Marie (Natacha Régnier) que se tornam amigas por acaso. Isa leva uma vida nômade, andando pelo mundo com sua mochila, sem se apegar a quase nada. Marie é mais dura e revoltada com a própria sorte, sempre pronta a cuspir na cara do destino. É essa diferença de personalidade que dá encanto ao filme. Isa é mais solar e consegue tirar da vida o que ela tem de melhor, enquanto Marie encarna em si a angústia do tempo.
As duas conduzem a trama e em torno delas gravitam personagens secundários, mas igualmente interessantes. Essa é a história e não há muito o que acrescentar. Duas garotas sem grandes objetivos tratam de buscar a felicidade onde podem encontrá-la. Mas não se analisa um filme apenas pelo conteúdo. O que há de mais interessante é como Erick Zonca conta a história e elege os assuntos. Ele é um observador da vida real, um cineasta que tem o ser humano como fonte de inspiração. A exemplo de Maurice Pilat, Zonca gosta do embate físico, de corpos que se desgastam no duro exercício da vida cotidiana.
Em A Vida Sonhada dos Anjos há uma certa violência, uma violência real que oprime e brutaliza as pessoas. Tudo isso é colocado na tela com inteligência e capacidade de observação. O filme ainda se beneficia pelo extraordinário trabalho da dupla Éloide Bouchez e Natacha Régnier. As duas dividiram o prêmio de interpretação no Festival de Cannes/98. Lançamento da Paris Filmes. Duração: 113 mintuos.
OUTROS LANÇAMENTOS
Divulgação Comparada a outras adaptações de séries, esta sai ganhando
Mod Squad
Atualização da série que ficou no ar de 1968 a 1973, Mod Squad O Filme, não é nenhuma Brastemp, mas tem charme. O filme, como a série, conta a história de três amigos: Julie, Pete e Linc, que são interpretados por Claire Danes, Giovanni Ribisi e Omar Epps. Juntos eles formam um esquadrão especial da polícia de Los Angeles, trabalhando de forma pouco convencional. Sem distintivos, sem armas e sem regras. Julie é uma ex-viciada, Pete arrombava e roubava carros e Linc era um revoltado. Mas o fato de terem fichas na polícia, não significa que sejam maus. Na verdade, eles são o retrato de uma América violenta.
Comparado às recentes superproduções adaptadas de séries famosas como Os Vingadores e As Loucas Aventuras de James West, Mod Squad é bem melhor. Dirigido por Scott Silver, o filme tem ação na medida certa, misturando drama e humor. O roteiro deixa um pouco a desejar, mas se encarado como uma sessão da tarde, é bem divertido. Lançamento da Warner. Duração: 94 minutos.
Reprodução
Para quem gosta de desafios, Everest é cativante
Everest
Este ótimo documentário registra de forma épica e cativante, a escalada de três alpinistas ao topo do mundo: Jamling Norgay, filho do lendário alpinista Tenzing, que alcançou o topo do Everest em 1953, junto com o explorador Edmund Hillary; o americano Ed Viesturs, que deseja fazer a escalada sem oxigênio e Araceli Segarra, a primeira mulher espanhola a tentar escalar a montanha. Everest documenta todo o processo de preparação, os sonhos, os medos e os desafios dos alpinistas rumo à expedição que custou a vida de oito pessoas.
O documentário mostra a história de pessoas que fizeram sacrifícios e arriscaram suas vidas para conquistar a montanha mais alta do mundo. A narração é de Liam Neeson e a música é de George Harrison. Vale a pena conferir. Lançamento da Paris. Duração: 45 minutos.





