Na última tarde de quarta-feira, aproximadamente 160 idosos que integram o grupo de terceira idade da Acel tiveram uma missão muito especial. Reunidos para o encontro que acontece tradicionalmente na terceira quarta-feira do mês, ficaram sabendo que iriam contribuir para o encerramento do Projeto Origami do Centenário. A iniciativa consiste na montagem de um painel de 9,5 m por 3,5 m com 500 mil origamis que ficará exposto de forma permanente no Congresso Nacional, em Brasília. O painel ''Sonho Brasileiro'' irá mostrar o símbolo do centenário da imigração japonesa, que traz as bandeiras do Brasil e do Japão estilizadas.
A confecção dos origamis começou em junho e a etapa final teve a participação da colônia japonesa do Paraná. ''Ela não poderia ficar de fora e estou muito emocionada por ver o encerramento do projeto com a participação dos imigrantes e seus descendentes'', afirmou a coordenadora geral do projeto, a artista plástica Luiza Yamada Kuwae.
A técnica de origami escolhida foi a modular, que difere-se do origami tradicional por usar uma folha de papel no formato de retângulo e não quadrado. Antes de começar a dobradura - conhecida como kami buroko -, o participante deve escrever no papel os seus sonhos e assim criar uma corrente positiva que se soma aos desejos de milhares de pessoas ao redor do mundo. Durante a realização do projeto, vieram origamis do Japão, da República Dominicana, dos Estados Unidos, da Argentina, da Coréia e de diversos estados brasileiros. Para se ter uma idéia da dimensão do projeto, só da cidade japonesa de Hyogo vieram 90 mil origamis. Já em São Paulo, urnas coletoras dos origamis chegaram a ser colocadas nas estações de metrô e nos aeroportos.
No Brasil, as ações incluíram o ensino da técnica em creches e escolas públicas. ''O origami tem um grande potencial educativo. Portanto, além de divulgarmos a história da imigração japonesa, foi a oportunidade de compartilharmos essa técnica que favorece a concentração, o aprendizado de noções de geometria e a coordenação motora fina, entre outros benefícios terapêuticos'', destacou Luiza.
E sob o olhar atento da professora Luiza, 35 pessoas trabalham diariamente no perfeito encaixe dos delicados kami buroku, que precisam ter uma distância de 0,6 centímetro entre uma linha e outra.
Para Iraci Anami, 77 anos, participar da confecção do painel foi um privilégio. ''Gostei muito e foi uma forma de relembrar a minha infância, quando os meus pais me ensinavam a fazer origamis. Não conhecia essa técnica e os desejos que escrevi foram paz e felicidade para todos.''
Já Teruyoshi Oyamada, 73 anos, frissou que já havia esquecido os origamis que fazia na infância. ''Foi novidade o que fiz hoje, mas não achei difícil e acredito que o trabalho manual nos ajuda a pensar melhor. E desejei paz e amor, que são coisas simples, mas fundamentais'', ressaltou.
O painel ''Sonho Brasileiro'' deverá ser lançado ainda no final deste mês e foi promovido pelos três poderes - Legislativo, Executivo e Judiciário -, com realização do Grupo Parlamentar Brasil-Japão, Instituto Paulo Kobayashi e JCI Brasil-Japão. Mais informações pelo site www.origamidocentenario.com.br.

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