Simone GirotoLino Sambugaro: ‘‘Agora já me sinto livre para recomeçar com a música’’Lino Sambugaro, 50 anos, seria um agricultor como outro qualquer se não fosse um detalhe: ele mantém no sítio de 40 alqueires, a cerca de 10 quilômetros de Peabiru (12 km ao norte de Campo Mourão), um estúdio para gravação de músicas. E é ali que ele passa a maior parte do tempo. ‘‘Depois que terminei a colheita da soja, já consegui gravar umas 15 músicas’’, conta com orgulho. O estúdio foi construído há 18 meses, para satisfazer um sonho da juventude.
‘‘Sou compositor’’, diz Sambugaro, que ainda sonha em ver suas músicas gravadas por cantores famosos. Natural de Botucatu, no interior de São Paulo, ele chegou a morar oito anos no Rio de Janeiro, entre o final dos anos 60 e o início dos anos 70. Quando tudo indicava que Sambugaro iria seguir a carreira artística, ele teve que voltar a Peabiru para assumir a propriedade rural da família. ‘‘Agora já me sinto livre para recomeçar com a música’’, ressalta.
Em 1971, Sambugaro chegou a ser escolhido como o ‘‘melhor calouro da noite’’ numa apresentação no programa do Chacrinha, na TV Rio. ‘‘Ganhei uns R$ 300,00’’, conta. Na época, ele interpretou a música ‘‘Ritmo da Chuva’’, de Demétrius. Hoje, no entanto, Sambugaro se especializou na composição de músicas sertanejas. ‘‘Mas eu tenho algumas músicas que ficariam bem se fossem interpretadas por grupos de samba’’, destaca.
O agricultor-compositor já tem cerca de 50 músicas compostas, sendo que 30 delas estão gravadas em fita cassete. Todas as gravações foram feitas em seu estúdio particular. ‘‘Montei o estúdio para apresentar meu trabalho com um mínimo de qualidade’’, diz. Sambugaro não sabe ao certo, mas calcula que gastou cerca de R$ 4 mil para montar o estúdio de gravação. Mesmo com as fitas em mãos, ele nunca procurou uma gravadora para tentar lançar seu trabalho.
‘‘Já passei a fase de garotão e acho que não dá mais para ser cantor’’, ressalta. ‘‘Mas como compositor acredito que tenho chances.’’ Para recuperar o tempo perdido, ele pensa em ir para São Paulo nos próximos dias para distribuir suas fitas nas gravadoras. ‘‘É meu sonho e vou insistir, mas tenho os pés no chão’’, diz. ‘‘Não vou deixar minha vida de agricultor, que garante o sustento da minha família.’’
Algumas músicas de Sambugaro têm endereço certo. Ele sonha, por exemplo, em ver a cantora Roberta Miranda gravando ‘‘Amigo Meu’’, cuja letra foi feita para dar uma resposta à música ‘‘Amigo Seu’’, gravada por Gian e Giovani. ‘‘Também gostaria de ver minhas composições cantadas por Chitãozinho e Xororó e Só Pra Contrariar’’, admite. ‘‘Mas se algum outro cantor quiser gravar também ficarei muito contente.’’
Sambugaro faz tudo sozinho, desde a composição até a gravação em seu acanhado estúdio. Na hora de gravar, ele primeiro faz os arranjos no teclado e, depois, canta tocando violão. ‘‘Acho que tenho algumas músicas boas e até agora quem ouviu também gostou.’’ O compositor peabiruense também acredita que pode conquistar espaço. ‘‘Os cantores consagrados parece que se acomodaram e a gente só ouve regravações’’, justifica.

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