O sonho de tornar-se bailarina, comum a tantas meninas, foi bruscamente interrompido durante a infância de Júlia Almeida. Vítima de deficiência visual aos sete anos de idade, chegou a pensar que nunca conseguiria dançar depois que perdeu totalmente a visão. Mas o drama da londrinense teve final feliz e, no último sábado, ela sobiu ao palco do Teatro Zaqueu de Melo para integrar o elenco do espetáculo "Quatro Estações", promovido pelo Projeto Dançando um Sonho – Ballet para Cegos de Londrina.
Aos 13 anos, Júlia não se cabe de alegria com a oportunidade que se abriu à sua frente. "Quando era mais nova e ainda enxergava, meus pais não tinham condições financeiras de me matricular na aula de balé. Era um sonho que estava sendo adiado e que se perdeu completamente depois que perdi totalmente a visão. Até que três anos atrás me avisaram que haveria uma turma de balé para cegos no Instituto Roberto Miranda", enfatiza a adolescente que perdeu a visão após ao ter o nervo ótico afetado por uma válvula implantada para drenar uma hidrocefalia causada por seu nascimento prematuro aos seis meses de gestação.
O elenco do qual Júlia participa conta com outras 11 integrantes do Projeto Dançando um Sonho, idealizado pela bailarina e fisioterapeuta Sabrina Bueno. "Queria oferecer um serviço que proporcionasse uma melhor qualidade às meninas com deficiência visual e baixa visão. Através da dança é possível perceber nitidamente uma mudança de postura, melhora da autoestima e avanços na coordenação motora, fazendo com elas se sintam mais independentes", salienta.

As aulas de balé integram outras atividades desenvolvidas pelo Instituto Roberto Miranda, fundado há 50 anos

Todos os movimentos a serem trabalhados são repassados por meio do toque físico para que elas entendam como trabalhar o corpo inteiro

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