Sabrina Bueno, professora de balé: "Todos os movimentos a serem trabalhados são repassados a elas por meio do toque físico para que elas entendam como trabalhar o corpo inteiro"
Sabrina Bueno, professora de balé: "Todos os movimentos a serem trabalhados são repassados a elas por meio do toque físico para que elas entendam como trabalhar o corpo inteiro" | Foto: Fotos: Ricardo Chicarelli



O sonho de tornar-se bailarina, comum a tantas meninas, foi bruscamente interrompido durante a infância de Júlia Almeida. Vítima de deficiência visual aos sete anos de idade, chegou a pensar que nunca conseguiria dançar depois que perdeu totalmente a visão. Mas o drama da londrinense teve final feliz e neste sábado (12), às 19 horas, ela sobe ao palco do Teatro Zaqueu de Melo para integrar o elenco do espetáculo "Quatro Estações", promovido pelo Projeto Dançando um Sonho – Ballet para Cegos de Londrina.

Aos 13 anos, Júlia não se cabe de alegria com a oportunidade que se abriu à sua frente. "Quando era mais nova e ainda enxergava, meus pais não tinham condições financeiras de me matricular na aula de balé. Era um sonho que estava sendo adiado e que se perdeu completamente depois que perdi totalmente a visão. Até que três anos atrás me avisaram que haveria uma turma de balé para cegos no Instituto Roberto Miranda. Fui uma das primeiras alunas a participar das aulas e não penso em parar nunca mais. Dançar é uma felicidade muito grande para mim", enfatiza a adolescente que perdeu a visão após ao ter o nervo ótico afetado por uma válvula implantada para drenar uma hidrocefalia causada por seu nascimento prematuro aos seis meses de gestação.

O elenco do qual Júlia participa conta com outras 11 integrantes do Projeto Dançando um Sonho, idealizado pela bailarina e fisioterapeuta Sabrina Bueno. "Queria oferecer um serviço que proporcionasse uma melhor qualidade às meninas com deficiência visual e baixa visão. Através da dança é possível perceber nitidamente uma mudança de postura, melhora da autoestima e avanços na coordenação motora, fazendo com elas se sintam mais independentes", salienta.

Sabrina explica que apesar de as aulas com alunas do projeto exigirem mais treinamento os resultados têm sido muito satisfatório. "É um grande desafio tanto pra mim quanto pra elas. Todos os movimentos a serem trabalhados são repassados a elas por meio do toque físico para que elas entendam como trabalhar o corpo inteiro. Isso exige um tempo maior de preparo. Enquanto numa aula convencional consigo trabalhar 20 exercícios, por exemplo, na aula delas a gente consegue realizar cinco deles. Mas no final acaba sendo muito compensador. E uma grande felicidade vê-las vencendo desafios e conseguirem se superar, executando as coreografias com precisão", argumenta.

Julia Almeida perdeu a visão aos sete anos: "Não penso nunca mais em parar. Dançar é uma felicidade muito grande"
Julia Almeida perdeu a visão aos sete anos: "Não penso nunca mais em parar. Dançar é uma felicidade muito grande"



Além das barreiras levantadas pela deficiência visual, as participantes do projeto lutam para enfrentar outros obstáculos. "Ministro as aulas de forma voluntária, sem nenhum custo para as alunas. Mas elas pertencem a famílias de baixa renda e não têm condições financeiras de arcar com os custos das roupas e sapatilhas necessárias para os ensaios e para o espetáculo que realizamos todo final de ano. Então promovemos diversas atividades para arrecadar verba, como pizzadas, rifas e venda de bolos. Estamos à procura de um patrocinador para nos ajudar nessa missão", ressalta Sabrina.

As aulas de balé integram outras atividades desenvolvidas pelo Instituto Roberto Miranda, fundado há 50 anos. "Também oferecemos aulas de inglês, judô, atletismo, música, entre outras. Atualmente atendemos cerca de 150 alunos de várias faixas etárias", informa Andréa Bento de Paula, coordenadora pedagógica da instituição.

Os ingressos para o balé "Quatro Estações" estão esgotados. Interessados em colaborar com o Projeto Dançando um Sonho – Ballet para Cegos de Londrina ou participar das aulas podem entrar em contato com a bailarina Sabrina Bueno pelo telefone (43) 9 9825-0491.

Serviço:
Balé "Quatro Estações"
Quando – Sábado (12), às 19 horas
Onde – Teatro Zaqueu de Melo (Av. Rio de Janeiro, 413)
Ingressos esgotados

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