Mesmo desgastado, o adjetivo ''eclético'' ainda é o mais adequado para definir o saxofonista Leo Gandelman, que se apresenta hoje no Teatro da Caixa, em Curitiba. Ao longo de 22 anos de carreira, ele já transitou por praticamente todas as vertentes musicais (do pop ao erudito, passando pelo jazz, o experimentalismo e os gêneros tipicamente brasileiros, como o samba e o choro). Num país em que os instrumentistas são pouco reconhecidos, essa versatilidade faz toda a diferença - e por isso Gandelman é um dos raros músicos lembrados pelo grande público.
''Meu trabalho é isso mesmo, uma busca de várias linguagens. E a unidade é a minha visão, a cara que eu dou para tudo isso'', diz o saxofonista, em entrevista para a FOLHA. Mas ele também reconhece que o músico, no dias de hoje, precisa explorar várias frentes para sobreviver. ''Somos, mais do que nunca, biscateiros'', brinca o carioca de 53 anos, que ainda se desdobra como produtor, arranjador, dono de estúdio, diretor de um selo de gravação e apresentador de um programa de rádio no Rio de Janeiro.
Ele explica que sua profissão perdeu a regulamentação depois do surgimento da internet e das novas plataformas digitais de gravação. ''Essa novidades possibilitaram ao artista uma liberdade maior no exercício do trabalho. O relaciomento com o mercado está mais aberto, e mesmo os nichos não estão tão fechados quanto antigamente'', avalia. Gandelman ainda compara a atividade com a dos jogadores de futebol. ''Como os atletas, nós também passamos a ter uma noção política, econômica e social da carreira''.
Sobre o show desta noite, o saxofonista não adianta muita coisa. Diz que o repertório terá algumas músicas marcantes de sua trajetória e apenas um ou outro tema do último registro de estúdio, o CD e DVD ''Sabe Você'' (2008), em que relê clássicos da MPB com a participação de figurões como Caetano Veloso, Chico Buarque e Milton Nascimento. ''Teremos uma surpresa. Só não conto para não estragar a expectativa'', despista.
David Feldman (teclados), André Vasconcelos (baixo) e Allen Pontes (bateria) formam sua banda de apoio, que ele chama informalmente de ''Os Impagáveis''. Os dois primeiros, revelações do cenário instrumental, representam uma nova geração que, segundo oGandelman, já chega ao mercado mais preparada. ''Nos últimos 15 anos, o meio da música começou a ficar organizado, com escolas melhores e métodos acessíveis graças à internet. Mas, se por um lado o espaço está mais democratizado, também está mais disputado'', conclui.
SERVIÇO
■ Show com Leo Gandelman
Quando - Hoje, 20h
Onde - Teatro da Caixa, em Curitiba
Quanto - R$ 10 e R$ 5 (meia)
Mais informações - (41) 2118-5111

mockup