Jaques Morelenbaum fala do disco em entrevista exclusiva à Folha2
O quarteto não demorou um pouco para gravar o primeiro disco?
Demorou bastante por incompatibilidade de agendas. Cada membro do quarteto tinha outras atividades e todas as vezes que surgia a oportunidade de gravar um podia mas o outro não podia...
Pela lógica, o quarteto é quem tem mais propriedade para gravar as músicas do Tom?
Seria ambicioso... Quer dizer, o que eu vejo é que nós somos profundos conhecedores da idéia musical do Tom pela convivência e pelos laços familiares e de amizade. Foram quase 10 anos de banda, de convivência quase cotidiana. Era muito bom. Devido a isso temos um conhecimento muito profundo da obra dele. Executamos essas músicas com a consciência plena de estar sendo fiéis ao pensamento musical do Tom.
O repertório abrange canções feitas antes, durante e depois da Bossa Nova. A seleção teve uma preocupação, digamos, cronológica?
Não teve um critério cronológico não. Teve um critério mais do nosso gosto...O Tom tem uma obra vastíssima e durante esses quatro anos de quarteto passeamos por pelo menos cem canções dentro da obra do Tom...
No entanto, vocês pegaram para o disco algumas bastante ‘‘batidas’’, não?
Na verdade... Fizemos duas excursões pela Europa, apresentações no EUA e no Brasil e nessas apresentações procuramos desvendar jóias que não são muito conhecidas do público e também as canções mais conhecidas. Equilibramos essas duas vertentes. Então, esse disco é uma consequência natural de nossas apresentações.
Era inevitável que nesse primeiro disco o repertório girasse exclusivamente (ou quase) em torno do Tom?
Desde que o quarteto existe nos dedicamos a interpretar a obra do Tom. Pode ser que isso mude no futuro...Temos vontade de tocar outros compositores também...
Resumindo, por enquanto é Tom
É. É um tipo de música que a gente gosta tanto... E pelo fato de termos consciência da propriedade do quarteto em ter esse conhecimento íntimo da obra do Tom... Poxa, tem tantos assuntos para a gente falar...
Pelo menos 500 motes vocês têm ou melhor, 500 canções deixadas por ele...
Exatamente. E além disso, o quarteto serve para, particularmente a nós, preencher o buraco que ficou com a partida do Tom. É uma maneira de a gente, nessa convivência do quarteto, matar saudades dele. (A.M.J.)

REPERTÓRIO DO CD
- Água de Beber, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes
- Meditação, de Tom Jobim e Newton Mendonça
- Ela É Carioca, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes
- Só Tinha de Ser com Você, de Tom Jobim e Aloysio de Oliveira
- A Felicidade, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes
- Eu e o Meu Amor/Lamento no Morro, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes
- Falando de Amor, de Tom Jobim
- A Correnteza, de Tom Jobim e Luis Bonfá
- O Boto, de Tom Jobim e Jararaca
- Mantiqueira Range, de Paulo Jobim e Ronaldo Bastos
- Corcovado, de Tom Jobim
- Desafinado, de Tom Jobim e Newton Mendonça
- Águas de Março, de Tom Jobim

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