Sombras do horror humano
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sexta-feira, 10 de outubro de 1997
Zeca Corrêa Leite Curitiba 
DivulgaçãoCadeira inquisitóriaA violência que impregna as imagens da televisão, com carros explodindo e corpos chocando-se na parede sob o impacto das balas, é o resultado do aperfeiçoamento do homem na destruição do semelhante. Porém, é fichinha se comparado aos instrumentos medievais de tortura que estão expostos no Museu de Arte Contemporânea, em Curitiba, até o final do mês.
A Mostra Internacional de Antigos Instrumentos de Tortura da Idade Média, organizada pela Associazone Ricercatori Storici, tem o peso de séculos da maldade humana. São cerca de 40 peças cuja única finalidade de sua criação foi a de maltratar, produzir urros e dor - as mais horrendas dores que deixaram suas maldições nos calabouços das prisões.
O visitante terá contato com algumas jóias dos torturadores. Os nomes são sugestivos: esmaga juntas, esmaga polegar, cadeira de inquisição, cadeira das bruxas, esmaga seios, esmaga cabeças, roda do despedaçamento, cavalete, pêndulo, serrote, forquilha do herege, cócegas espanholas.
50 milhõesSegundo estudos feitos por historiadores italianos chegou-se à conclusão que aproximadamente 50 milhões de pessoas foram expostas a esses tipos de torturas. Muitas delas passaram pelos instrumentos que hoje estão no Museu de Arte Contemporânea - a exposição conta com réplicas e peças autênticas.
Os requintes de maldade são macabros. A cadeira de inquisição, usada na Europa até meados do século passado, é um exemplo disso. Tirava-se a roupa do réu, colocava-o sentado na cadeira e, ao menor movimento que ele fizesse, agulhas penetravam-lhe o corpo.
DivulgaçãoCavalete
O acervo da Mostra Internacional de Antigos Instrumentos de Tortura da Idade Média foi conseguido após visitas a castelos e museus da Europa. Através de pesquisas em documentos e pelas descobertas de fragmentos em diversas regiões européias foi possível construir objetos que não existiam mais.
Nunca maisEsta exposição é única no mundo. A Associazone Ricercatori Storici, que promove sua itinerância pelo planeta, é formada por historiadores italianos. Há 12 anos a mostra está viajando, tendo se iniciado em cidades da Itália.
Há mais de um ano ela está no Brasil, antes de seguir o roteiro que inclui Argentina, Uruguai e Chile. Segundo seus organizadores a tortura, que deixou marcas entre os egípcios e assírios, só começou a ser codificada em 1184. A prática da tortura chegou ao auge pelas mãos da Igreja Católica, responsável pela Inquisição.
Os hereges, segundo o olhar eclesiástico, teriam que pagar por seus pecados - e entre as mais diversas formas de sofrimento, além da queima na fogueira, morreram em todo mundo cerca de 1,7 milhão de pessoas, dizem os professores italianos. O Santo Ofício esteve quatro vezes no Brasil, e não passou em vão: 200 foram os sacrificados.
O público que visita a exposição - o ingresso varia de R$ 5,00 a R$ 1,00 - é convidado a deixar seu nome num livro de assinaturas de condenação, que traz o slogan Tortura Nunca Mais.
Esse material deverá ser entregue ao Secretário Geral das Nações Unidas, visando uma atuação eficaz contra a tortura e outros tratamentos e castigos cruéis, desumanos e degradantes. Que continuam a ocorrer nos porões policiais, com ou sem o beneplácito da sociedade e das autoridades governamentais.
Mostra Internacional de Antigos Instrumentos de Tortura da Idade Média , organizada pela Associazone Ricercatori Storici. No Museu de Arte Contemporânea (Rua Desembargador Westphalen, 16, tel. 222-5172), em Curitiba. De segunda a domingo das 9h às 21h. Até dia 31 de outubro. Ingressos: R$ 5,00; R$ 2,50 (estudantes) e R$ 1,00 (estudantes da rede pública). Até 31 de outubro.


