Quem andou pelas ruas de uma cidade sem cruzar com um tipo esquisito, com cara pintada de branco e cheio de graça ao imitar as pessoas, ainda não topou com o famoso sombra. A figura é conhecida em diversos países e tem características semelhantes em todos eles. Mas cada um tem sua história e sua forma de atrair o público.
O paranaense Jeferson Soares, 24 anos, é o sombra ''O Sorriso''. De cara pintada, camiseta listrada, boné e bermuda, ele chega ao Calçadão de Londrina fazendo gozações com todo mundo. Às vezes uma mímica; outra, uma perseguição implacável ao desavisado que está passando.
Mas a vida de Jeferson nas ruas não é só risada. O sustento da casa, mulher e filho que vai nascer sai das brincadeiras e depende do bom humor das pessoas. Seu ponto geralmente é em frente a alguma lanchonete, onde ele ''passa o chapéu'' entre os espectadores. ''Hoje trabalho como sombra para sobreviver, mas tenho que fazer artesanato em balões para complementar a renda'', diz ao mostrar os bichinhos feitos com bexiga.
Nascido em Ponta Grossa, Jeferson trabalhou como auxiliar de artistas do picadeiro no circo Orlando Orfei e era fanático por palhaços. Aos 21 anos em 1997 decidiu ser um sombra e ir para as ruas. Foi uma opção de vida. ''Minha estréia foi em Caiobá e, de lá pra cá, já rodei o Brasil inteiro'', conta.
Para Jeferson, o lado bom de sobreviver fazendo arte nas ruas é conhecer muita gente e se dar bem com vários tipos de pessoas principalmente crianças, pelas quais é fascinado. Mas a discriminação também pesa. O sombra Sorriso já passou por várias situações constrangedoras. ''Como a vez em que eu seguia uma pessoa em Caiobá e ela se assustou com a brincadeira, pegou um pedaço de pau e correu atrás de mim. Fui salvo pelas pessoas que estavam me olhando de uma lanchonete'', lembra.
Atualmente, Jeferson pensa em sair da rua porque ninguém valoriza seu trabalho. ''Tem gente que me chama de vagabundo e eu chego a me sentir para baixo. Mas dou a volta por cima e relevo. A minha única revolta é saber que há tantas lojas na cidade e algumas delas vão buscar artistas de fora para fazer propaganda pra elas. Se pedimos emprego enquanto artistas, tem gente que pergunta: mas é artista de rua?'', reclama.

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