Som pop em território sertanejo
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quarta-feira, 09 de abril de 2003
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
É a vez do pop no palco da 43 Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina. Espremido na programação musical da feira, que invariavelmente privilegia atrações sertanejas, o gênero é representado desta vez pela banda paulistana Titãs.
O show é hoje às 21h45, logo após as apresentações do cantor Diego e da banda Primos da Cida, no Recinto de Shows e Rodeios João Milanez, no Parque Ney Braga. Os Titãs chegam à cidade com a turnê do álbum ''A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana'', lançado no final de 2001.
O disco, que estourou nas paradas com a canção ''Epitáfio'', encerrou um ciclo ocioso marcado por três CDs revisionistas. A banda parece viver um bom momento, com a agenda de shows lotada e o prestígio alto por ter faturado um troféu no Prêmio Multishow de Música Brasileira da última temporada.
Há pouco, também, o grupo foi homenageado com o lançamento do livro ''A Vida Até Parece uma Festa'', de autoria dos jornalistas cariocas Hérica Marmo e Luiz André Alzer, que contam a história dos Titãs trazendo passagens incômodas como a relação dos músicos com as drogas, as brigas com empresários e a rivalidade com os Paralamas do Sucesso.
Na passagem pelo Paraná, eles aproveitam para badalar o lançamento recente do DVD ''Volume Dois'', que traz a íntegra de um show gravado em São Paulo cinco anos atrás. Agora reduzidos a um quinteto, os Titãs sobem ao palco com Toni Belloto (guitarra), Charles Gavin (bateria), Branco Mello (vocal), Paulo Miklos (vocal) e Sérgio Brito (teclados e voz).
Estarão acompanhados ainda dos músicos Emerson Villani (guitarra e backing vocal) e Lee Marcucci (baixo). O repertório do show deverá mesclar músicas do último disco e sucessos registrados ao longo de duas décadas de carreira. Expoentes da geração-80, os Titãs já foram quase uma unanimidade nacional com sua diversidade rítmica e canções de forte teor crítico e grande apelo popular.
Mas a banda não resistiu às intempéries da longevidade, sucumbindo a modismos até se acomodar na auto-satisfação em sucessivos remakes. Nunca conseguiu recuperar a criatividade e o vigor revelados nos álbuns ''Cabeça Dinossauro'' (1986), ''Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas'' (1987) e ''Õ Blésq Blom'' (1989).
Quando pareciam à beira da extinção, lançaram o famoso CD acústico, que os içou outra vez às paradas vendendo 1,6 milhões de cópias. Deslumbrados com o segundo ciclo de sucesso, deixaram de compor para regravar canções próprias e alheias nos álbuns ''Volume Dois'' e ''As Dez Mais''. A longa temporada preguiçosa durou seis anos até o lançamento do último CD.
Paralelamente, a banda enfrentou mudanças indesejáveis na formação. Quando a separação de Arnaldo Antunes já fazia parte da memória empoeirada do grupo, vieram a traumática morte de Marcelo Frommer (em 2001) e a saída de Nando Reis (em setembro do ano passado). No começo de 2003, um outro susto: a gravadora Abril Music, da qual eram contratados, fechou as portas depois de quatro anos operando no mercado fonográfico.
A má notícia, porém, foi exorcizada no mês passado com a incorporação do grupo ao cast da BMG. Um novo disco deverá ser gravado até o final do ano.
Serviço:
Hoje: show dos Titãs. Local: Recinto de Shows e Rodeios João Milanez, no Parque Ney Braga. Horário: 21h45. Abertura com Diego e Primos da Cida. Horário: 20h15. Ingressos: R$ 8,00.


