A Patife Band voltou às lojas. O cultuado álbum ‘‘Corredor Polonês’’ finalmente ganhou reedição em CD, quinze após seu lançamento original em vinil pela Warner. O disco virou peça de colecionador, saudado como um dos trabalhos mais estimulantes da geração anos-80 do rock brasileiro.
Com produção de Peninha Schimdt, reúne 10 composições combinando agressividade punk e experimentalismos de música erudita contemporânea. A mistura havia sido esboçada num EP homônimo de quatro faixas. Patife era liderada por Paulinho Barnabé (irmão de Arrigo), que até hoje alimenta o retorno da banda.
Na época da gravação, a formação incluía Sidney Giovenazzi (baixo), André Fonseca (guitarra) e Paulo Mello (bateria). Fugindo dos padrões, o grupo apostava numa sonoridade audaciosa calcada em módulos atonais e compassos quebrados. Canções como ‘‘Pesadelo’’, ‘‘Três por Quatro’’ e ‘‘Pregador Maldito’’ marcavam a diferença em relação aos pares.
A atualidade do repertório pode ser conferida também na melodia e nos arranjos de Arrigo Barnabé para o ‘‘Poema em Linha Reta’’, de Fernando Pessoa, assim como na versão pesada para ‘‘Lil Red Riding Hood’’, de Ronald Blackwell, rebatizada ‘‘Chapeuzinho Vermelho’’. O mesmo se pode dizer da estridente ‘‘Tô Tenso’’, regravada posteriormente pela banda punk Ratos de Porão.
Entrevistado ontem pela Folha, Paulinho Barnabé lembrou que a conexão com o punk registra passagens biográficas pouco conhecidas até pelos fãs da Patife, como o fato de ele ter tocado baixo durante 1 ano na banda Inocentes, uma das pioneiras do movimento em São Paulo. Ao comentar ‘‘Corredor Polonês’’, o músico ressaltou o caráter ‘‘autoral’’ do disco.
‘‘É um trabalho de muita personalidade’’ – afirmou. ‘‘O que tinha de experimentalismo ali, era espontâneo, não era forçação. Aquela era a minha linguagem musical, o que eu sempre fiz. Por isso, acho legal que ele seja relançado agora. Para os jovens, pode ser uma boa referência do que rolou nos anos 80’’.
Provocado a analisar o panorama roqueiro atual, Paulinho deixou a diplomacia de lado para criticar as novas bandas. ‘‘Tudo está muito americanizado’’ – salientou. ‘‘Tudo parece cópia do que vem de fora. Tudo gira em torno de estilos estabelecidos, definidos e aceitos pelo mercado. As bandas já aparecem ligadas ao metal, ao punk ou outro gênero qualquer. Ninguém quer buscar uma linguagem pessoal. Está faltando criatividade’’.
Projeto de um homem só, a Patife mantém-se viva na cabeça do músico. Há anos prometendo gravar seu terceiro disco, ele anunciou mais uma vez seus projetos, entre os quais a gravação de um CD instrumental. ‘‘Estou com muito material pronto’’ – disse. ‘‘Pretendo lançar dois discos, um com vocais que se chamará ‘‘Pigs & Blaargh’’, e outro com som experimental radical reunindo um quarteto de cordas, guitarra, baixo e bateria. Mas eu trabalho num ritmo lento. Não sei quando vou entrar no estúdio’’. O público espera.

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