O último álbum do quinteto paulistano Mamma Cadela é marcado por supresas. A começar pelo nome da banda, que por mais estranho que pareça, é o mesmo de uma planta típica do cerrado, com propriedades analgésicas - é provável que a escolha se justifique pela música do grupo, que provoca no ouvinte efeitos semelhantes ao do arbusto.
Os músicos citam em sua lista de referências a irreverência de Frank Zappa, o experimentalismo de Hermeto Paschoal, a matemática de Kraftwerk, a aura sonhadora de Pink Floyd e até a formalidade lúdica de Nino Rota, compositor das trilhas de Fellini. Apesar de serem nomes que marcaram a música no passado, a estética sonora do Mamma Cadela vislumbra o futuro.
Este trabalho busca novos formatos para a música instrumental. Cada faixa tem um arranjo distinto, e todas possuem uma riqueza sonora notável. O tempo médio é de quatro minutos por música, mas elas possuem tantos elementos, que parecem ser épicos, mas em versões comprimidas. A produção é independente, a cargo do tecladista Fabio Pinc, que somada ao nível técnico e artístico dos músicos, resultou em um álbum de nível internacional.
''Lição Marítima nº 3'', que abre o disco, pode ser classificada como trip hop, cheia de sons viajantes. A música seguinte é um perturbador labirinto sonoro, como se Butthole Surfers encontrassem o lounge. As faixas com vocais contam com convidadas: A cantora Wanderléa em ''Meus Eletrodomésticos'' e Joana Cecatto, da banda Biônica, em ''Lapin Noir''. Há até um quarteto de cordas, em ''Natunobilis''. O final é grandioso, com duas músicas emendadas formando uma suíte de jazz rock esquizofrênico.
SERVIÇO- 'Mamma Cadela Em Busca Da Verdade' pode ser adquirido pelo site www.mammacadela.com.br

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