Após três anos de gestação, o primeiro álbum da banda curitibana Ruído/mm (lê-se Ruído Por Milímetro) está finalmente na praça. O processo envolveu gravações em dois estúdios, várias participações especiais (incluindo uma estrangeira), além de estudos musicais e dois anos de mixagem e masterização. Uma dedicação destas não foi à toa, afinal a música do grupo é complexa, e com uma quantidade exorbitante de instrumentos.
Com referências ao post-rock, ao experimentalismo e ao noise guitar de bandas como Mogway, Tortoise e Sonic Youth, ''Praia'' (lançado pela Open Field Records / Peligro Discos, de São Paulo) apresenta oito músicas instrumentais, que podem durar de um a nove minutos, mas não é motivo para que o ouvinte se assuste, afinal as mais longas parecem divididas em movimentos, e aí a banda justifica uma de suas ambições, a de um dia tornar-se uma orquestra (fora do convencional, é claro).
''Praieira'', uma das mais extensas, inicia com ambiências leves, vai ganhando corpo com a entrada de guitarras e de vários violinos que lhe dão um caráter sinfônico, até partir para um rock ruidoso em sua segunda metade. Apesar do nome, não lembra em nada qualquer música de litoral como as conhecemos. O mesmo ocorre com a faixa ''A Praia'' - o disco foge de obviedades. Esta tem participação do saxofonista Glenn Hall, dos EUA, que já trabalhou com o jazzista Bill Evans e com o guitarrista Lee Ranaldo, do Sonic Youth.
Não são poucas as faixas com várias camadas de guitarras, como ''Célula Dois'', que em certo momento transforma-se numa massa sonora com mais de dez guitarras simultâneas, e sem que a frequência de uma interfira nas demais.
''Praia'' é um álbum para ser ouvido com muita atenção, para perceber todas as nuances, e a cada nova audição identificar arranjos que não foram percebidos anteriormente.
SERVIÇO
- O álbum pode ser adquirido pelo site www.peligro.com.br ou pelo e-mail [email protected]

mockup