SOM NA CAIXA
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 01 de julho de 2008
Rodrigo Juste Duarte<br> Equipe da Folha 
Maurício Pereira, que ainda nos anos 80 despontou para o público como uma das metades do antológico duo Os Mulheres Negras ao lado de André Abujamra, mantém um consistente trabalho autoral desde a dissolução da dupla. Sua voz é inconfundível, dona de um timbre único, que a princípio até soaria estranho para um cantor. No entanto, ele desenvolveu um modo peculiar de cantar, que se encaixa perfeitamente ao tom.
''Pra Marte'' é o quarto rebento solo do artista, sucessor do cultuado ''Canções Que Um Dia Você Já Assobiou, vol. 1'', de 2003. Sem amarras a estilos específicos, Pereira compôs todas as 14 faixas (quatro delas em parcerias) que ora soam essencialmente urbanas, ora remetem à música e à cultura rural, e algumas vezes fazem referência ao espaço sideral.
O espírito urbano está em músicas como ''Motoboys, Girassóis, etc. e tal'', em que canta sua cidade (sem citar o nome) ao lado de Skowa; ''Penhasco'', com participação da paranaense Alice Ruiz; e na belíssima ''Trovoa'', que, apesar de citar inúmeras características da capital paulista, trata-se de uma canção de amor diferente, meio freak, meio nerd, carregada com a personalidade outsider do cantor. Esta música também remete ao espaço sideral, assim como a faixa título e a viajante ''Um Tango''.
Do namoro com a música caipira, uma constante em seu trabalho, surgem o ''caos'' de beira de estrada ''A Loira da Caravan''; a crônica de pescador ''O Dourado'' em dupla com Abujamra no melhor estilo Tião Carreiro e Pardinho; o folk ''Responde, Visconde'', que indaga sobre o personagem de Monteiro Lobato; e até no rock ''Ser Boi'', uma das raras música que fala de boi sem ser regionalista.
SERVIÇO
- O álbum pode ser adquirido pelo site www.mauriciopereira.com.br


