Música e gastronomia dão uma boa mistura? A professora de percepção Virgínia Bernardes acredita que sim pois milita nas duas artes sem muitos problemas. Virgínia está participando pela quarta vez do Festival de Música de Londrina (FML) e veio para ministrar um curso sobre percepção musical.
Ela veio de Belo Horizonte, Minas Gerais, terra em que ‘‘todos cozinham’’, comenta, explicando que não é a única a cozinhar na família. ‘‘É uma tradição antiga em Minas Gerais. A vó e a mãe ensinam as filhas e todos acabam aprendendo algo. Recentemente até os homens seguem essa tradição. Até meus irmãos cozinham.’’
Virgínia aprendeu a cozinhar desde pequena, quando também surgiu seu interesse pela música. Ela passa mais tempo se dedicando ao estudo da percepção sonora, mas sempre que há encontros em família ou com amigos acaba se soltando e prepara algumas receitas.
Sobre a culinária mineira, acredita que é única no País. ‘‘Existe algo que distingue a cozinha mineira que é o modo de refogar. Douramos a cebola, o alho, as verduras com um refogado especial.’’ Ela acrescenta que um bom indício para saber se a comida está boa é o cheiro: ‘‘Tem que cheirar bem, se não, está ruim’’, sentencia.
Apesar de adorar a cozinha, a sua predileção é pela música. Ela até ouve música quando está cozinhando, mas gosta mesmo é de ouvir a música sem estar fazendo nada ao mesmo tempo. Para defender a tese de mestrado em educação, com ênfase na percepção musical, ela lançou em abril deste ano ‘‘Ouvir para escrever ou compreender para criar’’, publicação que está sendo vendida nos estandes do Festival, no Colégio Mãe de Deus. O trabalho busca aprofundar as inter-relações de elementos musicais para descorbrir como a música é construída. ‘‘O ouvido é um instrumento muito valioso, que deveria ser mais valorizado’’ ressalta a professora.
Agradecimento: Restaurante Tempero de Minas (Rua Senador Souza Naves, 311)

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