Curitiba - Os anos dourados estão de volta, mas a inocência está perdida. Que o diga a banda Maremotos, uma das principais expoentes do gênero surfclassicsinstrumental no Paraná, estilo que embalou jovens nos primeiros anos da década de 60. Nos últimos meses o grupo vem trazendo a ‘‘Tisunami’’ por onde passa, com versões das músicas do tempo da vovó e do vovô.
O reboliço que o Maremotos causa na cena underground da capital pode ser conferido hoje, no Birinites (Trajano Reis, 326, tel. (41) 224-8650). O show começa às 22 horas, com ingressos a R$ 3,00. Após o show a trupe coloca os instrumentos no ‘case’ e se manda para BH, capital de Minas Gerais. Na sexta-feira se apresenta no maior festival de música surfe na América Latina: o 2º Primeiro Campeonato Mineiro de Surfe.
O reboliço em torno do grupo cresceu ao quebrar a resistência dos turrões do submundo, que não gostam de viver se alimentando de músicas covers. Uma reflexão superficial deixa claro que a seleção musical combinada pela onda de saudosismo e curiosidade acerta na veia da juventude transviada.
O alvoroço ainda não foi explicado e nem mesmo estudado. Mas o segredo da banda - formada por Coxinha e Mark, nas guitarras; Mr. X, no baixo e Coelio, na bateria - está na escolha do repertório. O Maremoto envoca o mundo do The Ventures, The Lively Ones, The Meteors, The Trashmen e Dick Dale. Outras preferências do quarteto são os temas compostos para filmes de faroeste italiano, seriados de ficção e terror, entre outros estilos instrumentais... Mais kitsch impossível.
Alguém ainda se lembra de músicas como ‘‘Exodus’’, ‘‘Ghost Riders in the Sky’’, ‘‘Batman’’ e ‘‘Halloween’’. Os jovens integrantes do Maremoto se lembram e às vezes vão além ao transformar a música do The Meteors em Psychobilly. Mas é na Surf Music Instrumental dos 60’s, como ‘‘Pipeline’’, ‘‘Wipeout’’ e ‘‘Miserlou’’ que os corpos se derreteram na nova onda.
O grupo se dá ao luxo de zoar ao resgatar obras instrumentais nacionais de papas da breguiçe dos anos 60. O exemplo é a banda Os Incríveis (famosos pela versão de ‘‘Era Um Garoto Como Eu’’ nos anos 60 e revitalizados com uma regravação do Engenheiros do Havaí na década passada) que comparece com a vibrante ‘‘O Milionário’’. Eles também tocam composições próprias. ‘‘Baile’’ e ‘‘Surfista Anônimo’’ são duas delas e passam como se fossem compostos por alguma banda gringa.
As atividades do Maremotos iniciaram como uma brincadeira em fevereiro de 2001, impulsionada pelo sucesso do psychobilly, descendentes da surf music. O resultado foi uma sonoridade próxima dos anos 60 com tempero do novo século. As principais características do estilo foram mantidas, como as guitarras reguladas com o reverb no máximo, sem distorção, notas agudas e palhetas rápidas.
O casamento se torna perfeito com a linha melódica do baixo, executado com um timbre estalado, notas e arpejos, flertando com um feitio desprezado nos últimos anos: o espanhol/mexicano, que é uma das principais influências do surfe clássico instrumental. A bateria desenvolve ritmos básicos, sem os exageros apresentados pela música na década de 70.

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