SOM CONTEMPORÂNEO
O grupo mineiro Uakti, expoente da música instrumental brasileira, é uma das atrações de hoje no Filo
Nelson Sato
ReproduçãoMúsica instrumental contemporânea. Na falta de etiquetas, num mercado inflacionado por elas, fique com essa. É talvez a que mais se aproxime do inclassificável trabalho desenvolvido há duas décadas pelo grupo mineiro Uakti, que se apresenta hoje no Cabaré (Av. Celso Garcia Cid, 1419) dentro da programação musical do Festival Internacional de Teatro de Londrina.
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O concerto começa à meia-noite. Uakti, nome inspirado num conto indígena, está soprando 20 velas e chega à cidade com uma agenda comemorativa preenchida até o final do ano. ‘‘Para festejar a data’’ - revela Artur Andrés, um dos integrantes - ‘‘vamos começar uma turnê nacional em agosto junto com o Naná Vasconcelos, e em seguida vamos nos apresentar com outro repertório ao lado do Philip Glass’’.
ReproduçãoDe cima para baixo, os músicos Paulo Sérgio, Artur Andrés e Décio Ramos do ‘‘Uakti’’: grupo toca instrumentos fabricados artesanalmente
Mas isso é só uma parte da celebração, garante ele. Estão previstos ainda a publicação de um livro, o lançamento de um vídeo e a gravação de um disco. Embora ignorado pelo grande público, o Uakti saiu relativamente da obscuridade em 1986, quando Milton Nascimento convidou os músicos para uma participação em seu álbum Sentinela. Chamou atenção na época a pesquisa desenvolvida pelo compositor Marco Antônio Guimarães, inventor dos vários instrumentos utilizados pelo grupo.
É, aliás, o fundamento que ainda surpreende as novas gerações. Guimarães, que há 5 anos deixou de se apresentar ao lado dos colegas, é quem fica ‘‘nos bastidores’’ manipulando materiais insólitos como tubos de PVC, vasilhames e sucata em geral para construir instrumentos de nomes não menos estranhos como aqualung, tribobita e pan circular. ‘‘Agora mesmo, por causa da parceria com o Naná, ele está trabalhando em cima de um berimbau de três cordas’’ - conta Artur, que rejeita o rótulo de world music aplicado ao grupo.
A música do Uakti ‘‘é fruto dos instrumentos’’ - sublinha. ‘‘Existe no mundo uma quantidade enorme de construtores de instrumentos, mas a maioria deles é constituída de fabricantes que não compõem e nem contam com músicos para tocá-los. O Uakti é um caso feliz de criação coletiva que, além de conceber artesanalmente os materiais, desenvove técnicas de execução’’ - diz.
Contando ainda com Paulo Sérgio e Décio Ramos, o grupo vive de sua atividade musical, à exceção de Artur que é professor da cadeira de flauta no Departamento de Música da Universidade Federal de Minas Gerais. Com 8 discos lançados (cinco deles no exterior pelo selo Point Music, de Philip Glass), o Uakti já fez vários concertos fora do País. Aliás, entre julho e outubro próximos, tocam na Itália, Inglaterra e Estados Unidos.
Atualmente, além de preparem o repertório dos shows com Naná Vasconcelos, finalizam a trilha sonora do filme Pequenas Histórias (dirigido por Pedro Bial e baseado num livro de Guimarães Rosa) e iniciam as gravações da trilha do filme Lavoura Arcaica (este dirigido por Luiz Fernando Cavalho baseado no livro homônimo de Raduan Nassar).
A quem sair da apresentação de hoje louco para ‘‘ouvi-los em casa’’, convém lembrar que quatro álbuns do grupo estão disponíveis no catálogo da gravadora Paradoxx. Os ingressos custam R$ 10,00.

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