SOM BEM BRASILEIRO
Ranulfo Pedreiro
De Londrina
Os ventos sopram tempestuosos, mas o CPC-Umes segue convicto na proposta de apresentar a diversidade da música brasileira longe de parâmetros comerciais. O selo tem arrancado elogios e não é por acaso. A cada fornada surgem boas surpresas.
As novidades para novembro já estão agendadas. Cézar do Acordeon faz uma homenagem a Luiz Gonzaga em Respeita Gonzagão. Carmélia Alves também aparece com trabalho novo, o CD Carmélia Alves abraça Jackson do Pandeiro e Gordurinha. Os dois lançamentos estão previstos para o dia 23.
Para dezembro, a gravadora prepara um pacotaço, incluindo Izaías e seus Chorões, o novo disco de Inezita Barroso em homenagem aos 45 anos de carreira da cantora e a dupla Antonio Barros e Ceceu. Entre os projetos, estão discos baseados em pesquisas folclóricas de Mário de Andrade e de José Ramos Tinhorão sobre os primórdios da música brasileira. Em janeiro, os lançamentos vão se concentrar no samba.
Enquanto as novidades não chegam, o CPC divulga suas últimas gravações. Em cinco lançamentos, o selo paulistano reúne música caipira, choro, trilha sonora, MPB e poesia. Vale destacar também a melhora na distribuição: já é possível encontrar os títulos em prateleiras paranaenses.
Caipirarte, encabeçado pela dupla Celia & Celma, é um tributo à música caipira e deveria ser referência para as duplas atuais. Com participações especiais de Renato Teixeira e Cacique e Pajé, além de João Pacífico morto no final de 98 e Adauto Santos que morreu neste ano o disco é um panorama cuidadoso do que acontece fora das paradas de sucesso. Há, inclusive, homenagens a Tião Carreiro, Tonico, Zé Fortuna e Alvarenga.
As estripulias sonoras de Pixinguinha ganharam um tratamento camerístico no CD Mulheres em Pixinguinha. Clássicos como Naquele Tempo, Lamentos, Ingênuo e Um a Zero são interpretados por um trio composto por Neti Szpilman na voz, Daniela Spielman, no sax, e Sheila Zagury no piano. O resultado é uma visão intimista da obra, com alterações de andamento e elementos de contraponto entre piano e saxofone.
Das Coisas é o CD de estréia da cantora e compositora Zenaide Bottini, um lançamento que congrega MPB com leve sotaque jazzístico. Bottini não propõe inovações, pelo contrário, segue um trilho que foi abandonado há tempos com a aproximação do pop/rock e da música eletrônica.
Dentro da série Música do Cinema Brasileiro, a gravadora lança a trilha sonora de Feliz Ano Velho, filme dirigido por Roberto Gervitz que levou vários prêmios no Festival de Gramado de 1988. A música composta por Luiz Henrique Xavier propõe um diálogo entre a trama e os protagonistas, como um personagem à parte, repleta de vinhetas e ambientações às vezes acompanhadas de diálogos.
E o escritor José Nêumanne Pinto preenche o segundo volume da série Poesia Já com uma coletânea de 30 poemas declamados pelo autor, com musicalização de Marcus Vinícius, diretor artístico do selo. A expectativa da gravadora para o ano que vem é continuar o esquadrinhamento musical de compositores e intérpretes esquecidos pelo mercado.De música caipira a trilha sonora, os lançamentos do CPC-Umes exaltam a qualidade da música brasileira
Gal Oppido/DivulgaçãoCelia & Celma são anfitriãs de grandes nomes da música caipira no CD CaipirarteGal Oppido/DivulgaçãoZenaide Bottini traz composições próprias no disco Das CoisasGal Oppido/DivulgaçãoNeti Szpilman, Daniela Spielmann e Sheila Zagury interpretam clássicos de Pixinguinha





