Soluções para problemas urbanos respeitam ambiente
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quarta-feira, 04 de junho de 2003
Especial para Folha 
Urbanização e respeito ao meio ambiente são, mais que nunca, idéias integradas. Nem sempre é missão simples garantir à cidade os serviços básicos sem com isso atropelar conceitos como qualidade de vida, saúde pública, preservação de bacias hidrográficas, cuidado com fauna e flora. Este desafio vem sendo enfrentado pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (Comurb) com uma agenda de tarefas que vem apresentando, nos últimos meses, os resultados de ações implementadas desde o início da atual gestão, em 2001.
É o caso do aterro sanitário, carro-chefe da Companhia quando o assunto é serviço público aliado à preocupação ambiental. Hoje, Londrina ostenta a condição de único município, entre 26 em toda a região, com o chamado ''aterro controlado'', segundo os padrões do Instituto Ambiental do Paraná (IAP). Situação diferente da que exibia há menos de três anos, quando o município contava apenas com um lixão a céu aberto que atentava contra o meio ambiente, era foco de doenças e meio de vida duvidoso para centenas de pessoas que faziam, da ''garimpagem'', fonte de renda.
Com iniciativas como a coleta seletiva do lixo urbano, que cobre 85% do município e desvia 25% do volume total dos resíduos produzidos pelos londrinenses do aterro para a reciclagem, o que se tem é um quadro novo. O ''Lixão'' agora conta com um trabalho de armazenamento de resíduos em células, o que já permitiu ao município recuperar grande parte da área. O cheiro forte de lixo a céu aberto, os urubus em vôo rasante sobre montanhas de sacos empilhados, a exploração subumana de resíduos por catadores, deram lugar a uma nova realidade.
Cerca de 500 famílias organizadas em ONGs (organizações não-governamentais) fazem a coleta do lixo reciclável, com remuneração mensal em torno de R$ 300,00. As lagoas para drenagem de chorume tratam quimicamente o líquido tóxico que escorria das pilhas amontoadas, desembocando no Córrego dos Periquitos.
Até pouco tempo, modificar este cenário era um sonho distante para qualquer londrinense indignado com a imprudência oficial. Estragos ambientais costumam levar tempo para serem desfeitos. A previsão é de que, mesmo com o controle do aterro, as lagoas de chorume trabalhem ainda por 25 anos. É o que os ambientalistas chamam de ''passivo ambiental'', herança pelo município ter protelado por tanto tempo a solução de um problema tão gritante.
Mas o foco é no futuro. O novo aterro sanitário, em fase de licitação, será exemplo do que há de mais moderno em matéria de concentração e tratamento de lixo urbano. A previsão da prefeitura é de que entre em operação até 2004. Para o presidente da CMTU, Wilson Sella, Londrina está se antecipando à tendência mundial de integrar ações, concebendo soluções urbanas que não criem problemas secundários como ocorria com o lixo, por exemplo. Concentrados no lixão, sem tratamento, os resíduos eram uma ameaça ambiental. Hoje, não agridem a natureza e são meio de vida para muitas famílias. ''Este é o grande desafio de quem fizer gestão urbana a partir de agora: conciliar políticas públicas com economia financeira e alta eficiência, agregando, sempre que possível, programas de fomento de renda'', diz Sella.
O desafio é também para o cidadão. Sella lembra que, da bituca de cigarro atirada na calçada à garrafa pet que vai parar no fundo dos mananciais, a população vai criando uma cadeia de poluição. ''Nossa idéia é implementar um trabalho conjunto com as secretarias de Educação e de Cultura. Sabemos que, quanto mais limpa a cidade estiver, maior o estímulo para que continue assim. E o contrário também é verdade''.


