Solte-se em Arraial DAjuda
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terça-feira, 01 de abril de 2008
Adriana Moreira<br> Agência Estado 
Arraial D'Ajuda - O sol quente, o mar azul e o clima pacato de Arraial D'Ajuda, no Litoral sul baiano, fazem o turista ter apenas uma ambição: esparramar-se na praia. Resista ou, ao menos, não faça isso todos os dias. Afinal, a pequena vila, que cresceu dividida de Porto Seguro pelo Rio Buranhém, dispõe de uma série de atrações para quem gosta de atividades ao ar livre.
Por terra, rio ou mar, a natureza de Arraial revela belíssimas surpresas. Como o passeio de caiaque pelos manguezais, que termina com a degustação de uma bela porção de guaiamum (tipo de caranguejo local).
A partida, da foz do Buranhém, ocorre com a maré cheia. O percurso é tranquilo. Nas margens, você pode observar pássaros e casas ribeirinhas - algumas, bastante luxuosas. ''Tem muito gringo com casa por aqui'', explica Luís Becker, da Eco & Adventure Expedições, criador do roteiro. Pescadores, com redes ou varas, também são comuns no trajeto.
Devagar, com o barco mais próximo da margem, é hora de escolher o trecho do mangue a ser desbravado de caiaque. Quanto mais largo, melhor: dessa forma, é possível remar com mais facilidade entre os canais.
Com tranquilidade, adentra-se o mangue, observando a vida que se forma por ali. Pequenos caranguejos caminham rápido, assustados com a presença dos turistas, sobre as raízes expostas E é bom levar uma papete ou um tênis (para sujar, veja bem): a idéia é, em alguns trechos, largar o remo e avançar pelo mangue enfiando, literalmente, o pé na lama.
Depois de explorar o local, chega a hora de matar a fome. Passe pela Avenida Paulista (trecho reto, repleto de coqueiros) até chegar à casa de Constâncio Rodrigues Góes, 61 anos, o Seu Tancinho. Nascido em Porto Seguro (BA), ele já fez de tudo na vida: carregou água, lenha, foi carroceiro e, por acaso, virou ajudante de pedreiro. Com o tempo, tornou-se mestre de obras, mas acabou cansando da vida na cidade.
Guaiamuns
Mudou-se, há dez anos, para um local isolado do Buranhém. Montou um barzinho, onde vende guaiamuns (R$ 5 cada) preparados na hora com a ajuda da mulher, Helena. ''Gosto do sossego. A cidade é muito barulhenta'', diz. Por ali, não existe luz elétrica - mas ele nem quer. ''Não preciso mesmo. Assim está bom'', garante.
Tudo é muito simples, mas acolhedor. Seu Tancinho conta histórias e leva você para conhecer seu maior orgulho: o pomar, plantado por ele. Dendês, goiabas, acerolas e eugênias - uma frutinha vermelha, que lembra uma maçã, muito saborosa.
Enquanto o almoço não fica pronto, é possível pegar o caiaque e explorar as redondezas. Aguapés floridos e trevos de quatro folhas espalham-se pelo local. Bandos de pássaros vão e vêm, e ribeirinhos saem para pescar.
É hora de saborear o guaiamum, acompanhado de arroz e pirão. Consciente, Seu Tancinho separa o lixo e não joga nada no rio. Como não há coleta por ali, ele leva tudo para a cidade, de barco. ''Sei da importância de preservar a natureza.''
SERVIÇO:
- Eco & Adventure Expedições: (73) 8832-6340. Passeio: R$ 50 por pessoa


