Soltando a voz na medida certa
PUBLICAÇÃO
sábado, 01 de fevereiro de 1997
Celina Alonso Az Sucursal de Maringá 
Edson GuittiA fonoaudióloga Maria Luisa Lorite e a professora de canto Ana Lúcia Colodetti revelam o Pavarotti que há em cada um
Cantar é um santo remédio. Principalmente contra o mau-humor e os desgastes do dia-a-dia. Para quem pretende ser mais do que um cantor de chuveiro - e aprender técnicas que embelezam a voz sem muito esforço para o organismo - uma boa notícia: começa na próxima segunda-feira,(3), em Maringá, um curso de Canto e Técnica Vocal para iniciantes, dividido em dois módulos. O trabalho coordenado pela fonoaudióloga Maria Luisa Lorite e pela professora de canto Ana Lúcia Colodetti, da Universidade Estadual de Maringá, deverá facilitar a atuação, não só dos futuros cantores da região, como também a de professores, políticos, vendedores, que se utilizam muito da voz em suas profissões.
Segundo a fonoaudióloga, a maioria das pessoas, incluindo cantores famosos, usa a voz de maneira errada e muitas delas, com o tempo, perderão muito do seu potencial vocal.
A idéia de realizar o curso, no início, foi para atender os atores do elenco da peça Uma Obra de Arte, do Teatro Universitário de Maringá, da UEM com quem as especialistas trabalharam durante a montagem do espetáculo. Eu faço o papel de um velho e o trabalho com a voz foi muito importante para composição da personagem, conta o ator José Luiz Morais Garcia. A diferença depois do trabalho vocal é enorme. Descobri a maneira correta de utilizar a voz e os riscos quando ela é mal utilizada. O ator considera fundamentais os exercícos de aquecimento que se faz antes de entrar em cena, e ainda as técnicas de desaquecimento para depois do espetáculo. Esses exercícios integram o primeiro módulo do curso.
Políticos, cantores, locutores, e principalmente, professores, têm procurado pelas especialistas. São pessoas que falam o dia todo e muitas vezes acabam causando impactos irreversíveis às pregas vocais, explica a fonoaudióloga. Atendemos na clínica professores que chegam com sérias patologias devido ao uso incorreto da voz. Geralmente gritam muito na sala-de-aula, o que não será necessário depois de uma série de exercícios diários.
Outros não sabem como é importante hidratar as cordas vocais, conta a fonoaudióloga. Ela afirma que quem fala muito deve tomar pelo menos, dois litros de água por dia, e especialmente, durante aulas e palestras, quando deve-se deixar um copo com água sempre por perto.
Os cantores têm mitos sobre como manter limpa a voz. Alguns antes de entrar em cena, comem cebolas cruas. Outros engolem mel com limão e sal e outras alquimias.
Segundo a fonoaudióloga, os políticos costumam pigarrear muito para limpar a voz nos seus discursos. Pigarrear, além de deselegante não resolve nada, ao contrário, só piora. Melhor é engolir saliva, orienta a fonoaudióloga, que no curso ensina como se faz ajustes e higienização vocal.
Voz escondida -Os cantores também estão procurado pelo curso coordenado pela professora de canto Ana Lúcia Colodetti. Além de repassar para os participantes um pouco do que ensina há dois anos na UEM, pretende mostrar para cada um, a sua verdadeira voz escondida. A maioria dos cantores, no início do curso, chega querendo ter a voz igual a de um cantor famoso. Já dei aulas para algumas Marias Bethânias, outras sonhando em virar Gal Costa, Simones, Marisas Montes, conta Ana Lúcia. O que tento resgatar no curso é a verdadeira voz de cada um e trabalhar sseus recursos. Primeiro fazemos uma análise perceptivo-acústica e crítica das vozes destes cantores profissionais. Depois tratamos logo do aprimoramento das habilidades vocais dos alunos, desde o relaxamento e respiração até a utilzação correta do microfone. Já conseguimos grandes revelações, conta a professora de canto.
Segundo a fonoaudióloga Maria Luisa, se a voz for bem trabalhada, até o Pato Donald pode virar cantor. Ela lembra que tem muita gente cantando sem aproveitar seus recursos.O pessoal do Skank, por exemplo, todo mundo gosta, mas eles são esgoelados. A Marina Lima tira proveito e faz sucesso com sua voz rouca e sensual. Mas, para um especialista Marina é um caso de voz disfônica. Já Marisa Monte fez canto lírico, e tem a voz educadíssima, só que sem o ranço de alguns eruditos. Zizi Possi tem uma voz cristalina e sabe usá-la bem, cita a fonoaudióloga. Ela alerta os cantores que já passaram dos 40: As pregas vocais da mesma maneira que os músculos para o atleta, devem ser trabalhadas para não ficarem flácidas, compara. Quando isso não acontece, a voz vai perdendo a elasticidade e o brilho. É só observar nas cantoras mais velhas. Muitas já não sustentam os mesmos agudos de antigamente, diz Maria Luisa Lorite.


