Soldados de fogo, sinônimo de bravura
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segunda-feira, 07 de julho de 2008
Ana Paula Nascimento<br>Reportagem Local 
Toda criança um dia já quis ser bombeiro. Não se sabe ao certo se é pela imagem de bravura e força ou pelo fato da profissão dominar o fogo tão fascinante e ao mesmo tempo ameaçador na infância. Desde pequenos somos acostumados a ouvir não brinque com fogo! e o alerta é compreensível. Tanto a água quanto o fogo são forças imprevisíveis e todo cuidado é necessário.
No meio de tantas efemérides, o Dia do Bombeiro que foi comemorado na última terça-feira, dia 2 de julho motiva a reflexão sobre uma das profissões mais admiradas pelo público infantil.
Pensando no referencial profissional positivo para as crianças e na importância de saber mais sobre o trabalho dos bombeiros, o Centro Municipal de Educação Infantil Antonio de Oliveira Geraldo, de Cambé, realizou uma homenagem especial ao Corpo de Bombeiros da cidade na semana passada. Ao todo, 70 crianças de 5 a 6 anos, que se dividiram em dois dias de homenagens, foram até a sede dos bombeiros cantar o hino Soldados de Fogo e aprender mais sobre o universo desta categoria profissional, o que incluiu até assistir a uma simulação de incêndio, vídeos educativos e visita ao interior de uma ambulância de atendimento do Siate.
O projeto Bombeiro: Grande Homem é desenvolvido pela escola desde 1998 e nesses dez anos os alunos já realizaram diversas atividades pedagógicas tendo como tema gerador a figura do bombeiro. Produção de texto, poesia, canto, esculturas em massinha fizeram parte dessa trajetória, que também foi lembrada na homenagem atual, já que os alunos entregaram um DVD com registros sobre essa retrospectiva aos homenageados. O projeto foi desenvolvido um ano depois que a cidade ganhou seu primeiro Corpo de Bombeiros. Antes, era a Corporação de Londrina que atendia Cambé.
A abordagem pedagógica é bem variada e ressaltamos para as crianças a importância de não dar trote pelo 193, que deve apenas ser usado nas situações de emergência, comentou a diretora Maria de Lurdes Bonilha Marcidelli.
Sendo a maioria dos seus alunos de periferia e de baixa renda, Maria de Lurdes destacou o valor que as visitas aos bombeiros têm na construção de um referencial melhor para a vida das crianças. No começo, eles ficam um pouco assustados porque associam os bombeiros com o barulho das sirenes, que os amedronta, mas logo constatam que eles são pessoas amigas, que praticam o bem, acrescentou.
O primeiro-tenente Alessandro Marques dos Santos elogiou a iniciativa e afirmou que o grupo freqüentemente realiza palestras educativas nas escolas. Acho que a educação familiar é a base de tudo, mas também acredito que esse tipo de visita pode até ajudar na escolha profissional dos alunos, pontuou.
Aos 33 anos, ele contabiliza dez anos dedicados à atividade de bombeiro. Desde criança era fascinado por fogo e dei trabalho para os meus pais. Sempre gostei também de atividades radicais como escalada, mergulho, e hoje isso faz parte do meu dia a dia, o que me dá muita satisfação, disse Santos.
Dentre os aspectos negativos da profissão, na opinião do tenente, está o fato de ter que lidar com situações traumáticas de acidentes. Prefiro situações de salvamento antes que as lesões ocorram. Quando conseguimos fazer um bom resgate, ficamos com uma sensação de satisfação pessoal plena durante dias.
Ele também ponderou que, apesar da imagem de admiração que normalmente o bombeiro tem junto à comunidade, nas situações de vistoria as pessoas acabam sendo desrespeitosas. A vistoria não é um ato heróico, mas é um trabalho que pode prevenir muitas mortes. Infelizmente, as pessoas ainda têm dificuldade em entender isso, concluiu.
A aluna Jhenifer Gonçalves Fernandes, 5 anos, contou que uma das coisas que mais gostou durante a visita foi a hora em que ela e os colegas tiveram que segurar a mangueira de água utilizada nos salvamentos. Ela também relatou que uma vez a casa da sua tia pegou fogo e os bombeiros chegaram rapidamente.
Já o estudante Marcos Paulo de Oliveira, 6 anos, gostou do alicate utilizado pelos bombeiros para cortar a lataria de carros durante salvamentos. A ferramenta, chamada informalmente de Lukas ou Weber, na verdade uma referência aos nomes dos fabricantes alemães do instrumento, é tecnicamente designada de equipamento desencarcerador hidráulico.
Profissão da época do império
No Rio de Janeiro, em 2 de julho de 1856, o imperador D. Pedro II assinava o Decreto Imperial nº 1.775, que regulamentava, pela primeira vez no Brasil, o serviço de extinção de incêndio o mais antigo da América Latina. Nessa época, ao sinal de incêndio, o badalar dos sinos alertava homens, mulheres e crianças que ficavam em fila e, do poço mais próximo, passavam baldes de mão em mão até chegarem ao local que estivesse em chamas. Para oficializar a importância do bombeiro, por decreto do Presidente da República, desde 1954, todo 2 de julho é dedicado a homenagear esses profissionais.
Algumas situações em que os bombeiros atuam são: resgate em acidentes, colisão de veículos, atropelamentos, casos clínicos urgentes e remoção de cadáveres. Também fornecem treinamento a aspirantes a bombeiros em cursos internos, externos e palestras. São essenciais nas praias, como salva-vidas e observadores do mar. Também analisam a segurança de projetos e fazem vistorias de obras. E ainda realizam busca e salvamento em matas e florestas, auxiliam na captura de animais, monitoram e auxiliam na derrubada legal de árvores.
Cotidianamente, os bombeiros arriscam suas vidas pela vida do próximo e cada um de nós pode ajudar o Corpo de Bombeiros através de pequenos atos, como por exemplo:
n Evite arrombar janelas e portas em caso de incêndio antes da chegada dos bombeiros. A penetração do ar irá ativar as chamas.
n Não interfira nos serviços de extinção de incêndios. Isto é tarefa dos bombeiros (pessoas sem o devido treinamento podem se machucar).
n Motorizado ou mesmo a pé, assim que ouvir as sirenes das viaturas do Corpo de Bombeiros, imediatamente facilite a passagem.
n Não estacione o seu carro junto ao hidrante de coluna ou em áreas reservadas para o Corpo de Bombeiros. Isso dificulta as manobras das viaturas.


