Gilson AbreuNa areia quase não sobrava lugar. Banhistas aproveitaram o sol intenso que brilhou quase todos os dias de folia
O carnaval deste ano nas praias do Paraná veio quebrar uma velha e chata tradição. Pela primeira vez em muitos anos, fez sol em praticamente todos os dias de folia, o que levou quase toda a população de Curitiba e das cidades da região metropolitana para o litoral. Segundo estimativas das prefeituras dos municípios litorâneos, aproximadamente dois milhões de pessoas concentraram-se nos pouco mais de 90 quilômetros de faixa de mar que o Paraná tem para oferecer aos amantes da praia.
Assim, como não faltou animação para a festa de Momo, quase não sobrou lugar na areia para tanta gente junta. Todas as praias estavam lotadas e eram disputadas e reservadas pelos banhistas que chegavam mais cedo. Quem dormia demais para se recuperar da noite anterior praticamente não encontrava lugar.
Guarda-sóis entravam na disputa e até mesmo locais não apropriados para o banho eram tomados pelos veranistas que se animavam com o samba, axé music e marchinhas de carnaval noite e dia, no asfalto ou na areia. Tudo era folia.
As crianças, donas da festança durante o dia, compensavam a falta de espaço para brincar com uma disposição que deixava os pais - muitos deles curtindo uma ressaca - sem fôlego. Os pequenos formaram longas filas para se divertir nos brinquedos públicos que alguns balneários deixavam à disposição. Os que fizeram maior sucesso com a garotada foram a cama elástica e a parede de escalada, no novo município de Portal do Paraná.
Gilson Abreu






Quem preferiu a praia à cidade, encontrou mulheres bonitas curtindo o sol e muita diversão para a criançada










MalhaçãoPara os adultos que ainda tinham um pouco de disposição ou estavam a fim de queimar o álcool consumido na noite anterior, em muitas praias havia aulas de aeróbica pela manhã e pela tarde.
Se de dia era quase impossível passear tranquilo pela areia da praia sem ter que desviar de crianças correndo, guarda-sóis quase avançando sobre o mar, além de gente tentando jogar frescobol, vôlei ou futebol, de noite a confusão não era menor.
Sair à noite, só com muita disposição para se divertir e paciência com o trânsito, quase sempre parado. Para vencer poucas distâncias, gastava-se muito tempo, lembrando a ‘‘hora do rush’’ nas grandes cidades. Todos os bares ficavam lotados antes mesmo de anoitecer e as pessoas pareciam estar guardando lugar para cair na folia em posições privilegiadas.
Em Matinhos e Caiobá, era impossível chegar de carro até a beira da praia já que as ruas ficaram sob a posse exclusiva dos trios elétricos e do mar de gente que os seguia. O mesmo acontecia em Guaratuba que, segundo avaliação da polícia militar, chegou a reunir perto de 200 mil pessoas brincando ao som dos trios contratados pela Banda de Guaratuba na noite de segunda-feira.
Tudo isso só serviu para demonstrar que cada vez mais o carnaval é para se brincar nas ruas ou à beira da praia, ao som dos trios elétricos que misturam as velhas marchinhas com novos sambas, axé music e até reggae e rock. Vale tudo, principalmente quando o litoral do Paraná tem uma coisa que normalmente só se vê no Nordeste do País: sol nos cinco dias de folia.

mockup