O Brasil é o segundo maior produtor de soja do mundo, mas, por incrível que pareça, das 31 milhões de toneladas produzidas anualmente apenas 0,2% se destina ao consumo interno. Além do preconceito que imprimiu aos produtos derivados desse grão o rótulo de ‘‘comida de vegetariano’’, há uma rejeição inconsciente à soja desde sua implantação no país. Em 1914, época das primeiras plantações, a soja era unicamente usada para a fabricação de ração animal, o que contribuiu consideralvemente para a ausência do produto nas mesas brasileiras.
Para Solange Tosca Galli, no entanto, a soja se tornou uma grande companheira. Funcionária pública da Receita Estadual em Cornélio Procópio há 23 anos, desde abril do ano passado Solange cria inúmeras receitas a partir de um único produto – a soja. ‘‘Fui a uma feira agroindustrial e vi no estande da Embrapa alguns produtos de soja. Na hora pensei em criar algumas receitas’’.
Solange foi longe e passou a utilizar receitas que só ela sabe. Entre os produtos, ela desenvolveu receitas para farinha, pão, bolachas, soja frita, soja ao vinagrete, quibe, macarrão e até o leite de soja. Para tantas novidades, ela explica: ‘‘É simples, é só querer criar que consegue’’.
Além da simplicidade ao preparar o produto (basicamente a única complicação é a hidratação, o que dura oito horas), a soja ajuda a previnir inúmeras doenças. Segundo dados revelados pela Embrapa, além de combater os altos níveis de colesterol sanguíneo, ela contribui na luta contra o câncer de mama, de próstata, de útero, controla a diabetes, retarda a osteoporose e aumenta a reposição hormonal, o que evita a menopausa. Na China, onde a soja se consolidou como um hábito milenar, há um ditado que atribui ao produto a conhecida ‘‘resistência das orientais’’ (elas não enfrentam a menopausa).
Conforme pesquisas da American Heart Association (AHA), a introdução de pequena quantidade de proteína desse grão na dieta diária, cerca de 50 gramas, é o suficiente para deixar sangue e coração em forma. Solange confirma: ‘‘Conheço muitas pessoas que em dois meses de consumo diário não apresentam mais os problemas de saúde que tinham antes’’.
Nos EUA, no Japão e na China esse alimento se integrou ao cardápio e foi bem aceito. O molho, o queijo (tofu), a sopa enlatada, a carne, o leite, o macarrão e o suco, todos produtos provenientes da soja, se tornaram populares – só no ano passado, nos EUA, houve um aumento de 35% nas vendas desses derivados.
No Brasil, ainda não se criou o hábito, mas Solange está esperançosa: ‘‘Além de ser barata, e fazer bem à saúde, os alimentos derivados são deliciosos’’ observa. Solange até criou uma fábrica para produzir os alimentos, o ‘‘Empório da Soja’’, que aceita encomendas pelo fone (43) 9107-4422.

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