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terça-feira, 04 de julho de 2000
Francelino França De Londrina 
A programação artística do 20º Festival de Música acolhe hoje, no Cine-Teatro Ouro Verde, às 20h30, peças musicais para piano e música de câmara, com obras para viola e contrabaixo. A primeira parte, a jovem e experiente pianista Ana Yarovaia apresenta Sete Prelúdios, de Rachmaninoff, e a Sonata Fantasie, de Franz Liszt.
Na segunda parte do concerto, foram agregadas peças musicais pouco difundidas, dedicadas a instrumentos com escassas composições: a viola e o contrabaixo. O violista Marcel Jaffé apresenta obra de Henrique de Curitiba, músico radicado em Londrina. Ele atua no Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo, é professor de viola da Universidade de São Paulo e também diretor artístico da Orquestra Jazz Sinfônica.
De acordo com o músico, a viola é um instrumento de pouco repertório, traçando uma comparação ao violino. O som da viola é de menor projeção do que o violino e violoncelo, sendo menos comum ver a viola em recitais. Por isso, faço questão de me apresentar para que mais jovens se interessem pelo instrumento, afirma. Ele contabiliza a proporção de 40 violinos para 5 violas.
Marcelo Jaffé apresenta Cornells Impressions, obra criada em 1979, quando Henrique de Curitiba estudava nos Estados Unidos. Nessa composição, o autor procura descrever cenas e momentos importantes vividos no campus da Cornell University. Jaffé não esconde o entusiasmo em tocar juntamente com o compositor, pois ele oferece ao intérprete informações preciosas sobre a obra, inclusive sobre o estado de espírito no momento em que ela foi concebida.
Já o contrabaixo ganha projeção nas mãos de Milton Masciadri, uruguaio, criado em Porto Alegre, há 18 anos vivendo nos Estados Unidos, ensinando na Universidade de Georgia. Segundo ele, o contrabaixo fica 99% relegado a uma base harmônica na orquestra. Esse instrumento, que teve um desenvolvimento técnico tardio, exige fisicamente muito do músico. O contrabaixo sacrifica a mão, observa.
Em 1998, Masciadri foi nomeado Artista da Unesco da Paz. Em função disso, empreende viagens para vários pontos do planeta, seja após o terremoto na Turquia ou num conflito na Cazaquistão. O músico se apresentou até com a Sinfônica da Sibéria. No concerto de hoje, o cidadão do mundo Masciadri destaca o desafio brutal de transpor a música de violino para o contrabaixo.
No programa dedicado ao contrabaixo, a primeira peça do russo Dimitri Shostakovitch foi escrita para violoncelo, originalmente concebida para balé. Do compositor paulista Villani Cortes, Chorón foi tocado apenas uma única vez, em fins dos anos 80. Ainda fazem parte do repertório a canção de amor mais famosa de F. Kreisler e duas peças de G. Bottesini, num inusitado duo para contrabaixo. Milton Masciadri será acompanhado pela contrabaixista Maria Helena Salomão e Glacy Antunes de Oliveira ao piano.
Uma característica dos instrumentistas que se apresentam no concerto de Música de Câmara é o fato de serem de famílias de músicos. Tanto o avô, quanto o pai de Milton Masciadri se renderam aos encantos e dificuldades do contrabaixo, enquanto que os pais de Marcelo Jaffé são músicos. Sem falar em Henrique de Curitiba, irmão de Norton Morowicz. O gene musical se mostra presente na noite de hoje na sua melhor forma.


