Sobrevivendo a todos os excessos
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sexta-feira, 28 de março de 1997
France Presse 
Arquivo FolhaElton John: Achava que a droga era chave que abria minha alma, mas o que fazia era destruí-la.Na última terça-feira, o cantor inglês Elton John passou a fazer parte da seleta lista dos cinquentões do rock, após 30 anos de sucesso ininterrupto e de superar seu apetite desmedido por todos os tipos de excessos, seja álcool, drogas ou comida.
Depois do aniversário de Mick Jagger, dos componentes do The Who e de David Bowie, o compositor e cantor, cujo verdadeiro nome é Reginald Kenneth Dwight, comemorou seu meio século de vida sentindo-se um verdadeiro sobrevivente.
Álcool, cocaína, anfetaminas: Sempre sofri de bulimia generalizada, costuma repetir Elton John, que iniciou sua carreira artística tendo de combater uma terrível timidez.
Minha carreira era um sucesso. Mas minha vida era abertamente um fracasso, reconhece o cantor, cujo o primeiro grande sucesso mundial foi o discoYour Song, de 1970. Foi quando teve início sua associação tumultuada com seu letrista, Bernie Taupin.
Pinball Wizard (da ópera Tommy), Crocodile Rock, Skyline pigeon, Goodbye Yellow Brick Road, Donãt Break my Heart, Bennie and the Jets, Empty Garden, Sad Songs, Nikita, The Last Song, as trilhas sonoras de O Rei Leão e Quatro Casamentos e um Funeral são os sucessos que se sucedem num turbilhão. Elton John já registrou até agora mais de 40 álbums e vendeu mais de 200 milhões de discos.
Extravagâncias Elton John também marcou cena por seus inúmeros implantes capilares, que hoje permitem que tenha abandonado os exóticos chapéus usados sempre acompanhados por seus óculos e trajes extravagantes, num verdadeiro espetáculo visual. Uma vez entrou no palco vestido de Pato Donald. Sempre notícia, o cantor mereceu manchetes no mundo por seu breve casamento com a alemã Renate Blauel, seus problemas de peso e sua atuação como presidente do clube de futebol de Watford.
Depois de ser apresentar como bissexual, passou a reivindicar, com muito orgulho, sua homossexualidade e, inclusive, ganhou uma batalha judicial nesse sentido apresentada contra o jornal sensacionalista britânico The Sun.
Mas a grande mudança em sua vida e carreira aconteceu no início dos anos 90, quando conheceu uma jovem adolescente hemofílica contaminada pelo vírus da Aids. Comovido, a acompanhou até a morte e decidiu mudar de vida.
Era uma questão de me desintoxicar ou morrer, disse ele, numa ocasião. Eu queria viver, queria ter outra oportunidade, ficar orgulhoso de mim mesmo e de minha vida. Depois de uma luta difícil, conseguiu deixar de beber, de drogar-se e de comer de forma desmedida.
Agora nega a lenda que assegura que a droga inspira todos os artistas. Achava que a droga era chave que abria minha alma, mas o que fazia era destruí-la.
Convencido de sua sorte por não ter contraído o vírus da Aids, criou, em 1992, duas Fundações contra a Aids, na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos, nas quais investe desde então grande parte das rendas de seu direito de autor.
Estas duas fundações arrecadaram até agora mais de 12 milhões de dólares e financiam mais de 100 organizações no mundo todo.
No que diz respeito à música, o fio condutor de sua vida, seu mais recente álbum, Made in England, foi lançado em 1995 e evoca sua infância solitária, sua luta para encontrar sua identidade sexual e, principalmente, seu combate contra as dependências.
Apesar de sua atual vida de moderação, Elton John continua apreciando as festas, como a que comemorou seus 47 anos e na qual apareceu fantasiado de Rei Sol.
Para seus 50 anos, um membro de sua equipe organizou uma gigantesca festa que reunirá, dia 6 de abril, em Londres, centenas de convidados, que deverão comparecer usando fantasias muito loucas, conforme pede o convite.


