Francelino França
De Londrina
João Jorge Saad é parte integrante da história da televisão e rádio no Brasil, atuando há 51 anos no setor. Em muitos momentos, ele foi precursor, com inúmeros projetos inovadores que chegou a tirar o sono dos concorrentes. Hoje, ao completar 80 anos, ele faz uma breve retrospectiva daquilo que considera pioneiro na história da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão. Uma história que se iniciou nos anos pós-guerra, quando comprou o Rádio Bandeirantes. Saad chegou com a família em São Paulo aos 5 anos, vindo de Monte Azul Paulista, sua cidade natal. ‘‘A vocação para o comércio fez com que eu abandonasse o curso de Direito no 3º ano’’, recorda.
O empresário rememora que um de seus primeiros projetos, após comprar a Rádio Bandeirantes em 1948, foi viajar aos Estados Unidos em busca de equipamentos mais avançados para a emissora. ‘‘Para enfrentar a concorrência, eu trouxe um novo transmissor. O que possuíamos, a cada 5 horas precisava parar para ser refrigerado’’, relembra.
Já a Rede Bandeirantes de Televisão foi fundada em 1967, antigo Canal 13, em São Paulo. João Jorge Saad enumera várias fases no qual atravessou em sua história de empresário da comunicação, como a instalação da tevê em rede nacional, modernização dos equipamentos, transmissão via satélite, censura política, concorrência e a redefinição da linguagem televisiva.
Na semana em que se comemora o 30º aniversário da conquista do homem na lua, dois fatos marcaram a emissora. O primeiro se refere à transmissão pelo repórter Salomão Esper do lançamento da nave Apolo 11, diretamente do Cabo Canaveral, nos Estados Unidos. Na mesma época, um incêndio assolou o prédio da tevê. ‘‘Fizemos a reportagem com o caminhão que sobrou’’, conta Saad. Outras emissoras também passaram pelo pesadelo de terem seus estúdios devastados pelo fogo, como a TV Tupi, a Record e a Globo.
‘‘Fomos os primeiros a usar cores na tevê e também os pioneiros no uso do satélite’’, diz orgulhoso. Muitos programas produzidos pela Band fizeram história. A novela ‘‘Os Imigrantes’’, de Benedito Ruy Barbosa, redimensionou a teledramaturgia, como recorda o empresário. O programa ‘‘Canal Livre’’, apresentado por Roberto D’Ávila, enfrentou o regime militar com entrevistas desafiadoras. A Band foi a primeira emissora de tevê a dar voz aos exilados, na época da repressão, entrevistando Teotônio Vilella.
No jornalismo, muitos fatos históricos derrubaram a programação normal, como a cobertura ao vivo da Campanha Diretas Já e o Impeachment do ex-presidente Collor. A Band também foi a primeira a realizar debates políticos, destacando aquele em que Fernando Collor e Luiz Inácio Lula da Silva se degladiaram na campanha presidencial.
Outro fato histórico na televisão brasileira foi a manutenção por 30 anos ininterruptos do programa ‘‘Cozinha Maravilhosa da Ofélia’’, apresentado por Ofélia Anunciato. Dos inúmeros comunicadores de peso que passaram pela emissora destacam-se Hebe Camargo, Carlos Alberto de Nóbrega, Marília Gabriela, Jota Silvestre e Abelardo Chacrinha Barbosa.
Muitos nem se recordam, mas a emissora paulista foi porta de entrada para os apresentadores William Bonner e Fausto Silva, este no programa ‘‘Perdidos na Noite’’. Na atual grade de programação, o Programa Silvia Popovic é o destaque, mantendo um público fiel há 7 anos.
Saad define hoje sua emissora como eclética, no entanto, as duas colunas mestras são o jornalismo e o esporte. ‘‘Isso é herança do rádio’’, analisa. Hoje, os caminhos trilhados pela emissora, de acordo com Saad, passam pela fusão de empresas. ‘‘Sozinho não se aguenta’’, avalia. Um grande acordo realizado recentemente pela Band está alavancando o setor esportivo da emissora.
O contrato com a Trafic, maior empresa de marketing esportivo do país, vai permitir a Band acompanhar todos os setores do esporte. Ele destaca o acordo com a Sony na produção nacional de duas sitcom, ‘‘A Guerra dos Pintos’’ e ‘‘Santo de Casa’’, apresentadas todos os domingos.
O mais recente contrato, um produto típico dos tempos de globalização, se refere à criação de um novo canal de TV a cabo (TV Cidade), uma parceria com investidores argentinos, americanos, juntamente com um concorrente forte, o SBT. A nova emissora começará a funcionar no início do próximo milênio.

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