Arquivo FolhaJoão Bosco: show terá
músicas do último
disco e carros-chefe
como ‘‘O Bêbado e
o Equilibrista’’Reverências, senhores, muitas reverências porque se trata de um dos mais importantes compositores da MPB que se apresenta hoje, às 23 horas, na Casa de Shows Apoteose. João Bosco. Através de sua musicalidade peculiar ele vai cantar alguns de seus sucessos como ‘‘O Ronco da Cuíca’’, ‘‘De Frente pro Crime’’, ‘‘Corsário’’, ‘‘Memória da Pele’’ e também músicas do seu mais recente disco, ‘‘Dá Licença, Meu Senhor’’, que dá nome ao show, tais como ‘‘Expresso 2222’’e ‘‘Pagodespell’’. Ah, sim, certamente não faltarão seus carros-chefe - ‘‘O Bêbado e o Equilibrista’’ e ‘‘Papel March꒒.
João estará acompanhado de Nico Assumpção (baixo) e Ricardo Silveira (guitarra) num show programado, a princípio, para ter duração de 1h10. Pode ser um pouco mais já que o público do cantor e compositor certamente não o deixará voltar para casa sem o famoso ‘‘mais um’’.
Genial talvez seja o adjetivo mais apropriado para classificar a arte de João Bosco. E a genialidade se revela através de seu sotaque musical que funde diversos ritmos e estilos mas que não deixa de ser verdadeiramente brasileiro. E também pela forma com que canta - seus vocalises são quase um dialeto. É um estilista, um artesão musical, um ourives dos mais dedicados e competentes.
Disso tudo é que provém a importância de João Bosco na MPB, reconhecida até mesmo no exterior. Desde seu primeiro disco, em 73, vem deixando bem claro que seu caminho é muito particular e, portanto, deve ser respeitado. Há quem aponte, na década de 70 e parte da de 80 como sua fase musical mais rica. É que ao seu lado havia outro cara genial, Aldir Blanc.
Juntos compuseram riquezas e mais riquezas até hoje guardadas num sacrário por quem gosta da boa música. A parceria acabou. Sabe-se lá o porquê. João foi buscar outros parceiros e até que se deu muito bem. Uma prova disso é o maravilhoso ‘‘Zona de Fronteira’’ (91) em que sua música se uniu às letras de Wally Salomão e Antonio Cícero.
No disco se encontra uma das coisas mais sensíveis feitas nos últimos tempos - ‘‘Memória da Pele’’, também gravada magistralmente por Maria Bethânia. Enfim, João Bosco está aí, ereto, digno como poucos. Um senhor cantor e compositor que quando pega o violão, ai, ai, ai. Gente que nasce grande sempre tem o que dizer.
Em famíliaDepois de três anos lapidando as canções, João Bosco se prepara para lançar, no próximo dia 5, seu 19º disco - ‘‘As 1.001 Aldeias’’. Ao todo, 14 faixas assinadas em parceria com seu filho, o poeta Francisco Bosco, de 21 anos. Uma das músicas que compõem o repertório - ‘‘Enquanto Espero’’ - já está incluída na global ‘‘Por Amor’’. Deve ser cantada no show de hoje.
Ao contrário do trabalho anterior, sedimentado basicamente no violão, João vem generosamente revestido musicalmente. Ele passeia, de acordo com o filho-parceiro, pelos mais diversos estilos como bossa nova, flamenco, jazz e samba, claro. Ou seja, o caldeirão de ritmos vai estar presente mais uma vez.
Uma das faixas que deve chamar a atenção é a dobradinha ‘‘Benguelô’’ e ‘‘Metamorfoses’’ em que a primeira parte é trabalhada como folia de reis e, na segunda, descamba para a música árabe. ‘‘O trabalho traz o cosmopolitismo sonoro que sempre esteve presente no trabalho do João’’- analisa Francisco Bosco. No mais é aguardar, como sempre com expectativa, a mais nova estripulia desse certo João que nasceu sob as mesmas bênçãos de um outro genial João, encastelado Gilberto.SERVIÇO
• Dá Licença, Meu Senhor - show com o cantor e compositor João Bosco. Hoje, às 23 horas, na Casa de Shows Apoteose (Avenida Rio Branco, 80-A). Ingressos: R$ 80,00 (mesa com quatro lugares) e R$ 10,00 (individual). Mais informações e reservas pelo telefone (043) 348-0540.

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