Que Romeu e Julieta não caiam do banquinho em que namoram na eternidade dos personagens clássicos e protestem contra a sentença de que: ''Um beijo é só um beijo, (...) porque ''a kiss is still a kiss'', but ''the fundamental things apply as times goes by'' ou ''as coisas fundamentais acontecem enquanto o tempo passa''.
O beijo pode ser somente um beijo, como diz a trilha ''As Times Goes By'', do filme ''Casablanca'' que, aliás, guarda pelo menos quatro sequências dos beijos mais famosos do cinema. Porém, não há dúvida de que existem maneiras e maneiras de beijar e ser beijado.
No Dia Internacional do Beijo, comemorado hoje, a personagem Josie Geller, de Drew Barrymore, em ''Nunca Fui Beijada'', não chega a ser uma piriguete, mas dá a receita para quem não quer fazer feio na hora de encontrar os lábios alheios.
A garota diz que o tal beijo especial deve ser daqueles em que a mocinha dobra uma das perninhas para trás na hora ''H'' - tipo Betty Boop né.
Nem Betty Boop e muito menos Josie Geller sabem o que é uma beijada daquelas de desentupir pia; afinal de contas, o que entende de beijo uma menina que nunca beijou, não é mesmo?
Beijo ''bão de cinema pra valer'', eleito pelo crítico Carlos Eduardo Lourenço Jorge, e uma legião de cinéfilos, é o de Burt Lancaster e Deborah Kerr em ''A Um Passo da Eternidade'' (1953).
Sente só o clima: estão lá os dois apaixonados numa praia e, de repente, dá aquela vontade de beijar. O casal rola na areia e... splish, splash...
Carlos Eduardo estende o tapete vermelho também para o melhor beijo do cinema contemporâneo em ''My Blueberry Nights'', que no circuito nacional ficou: ''Um Beijo Roubado''.
No filme Jude Law e a cantora Norah Jones protagonizam um beijão de tirar o fôlego, com direito a chantilly e tudo, fazendo inveja a Sharon Stone e Michael Douglas em ''Instinto Selvagem''.
''O beijo no cinema em si pode ser carnal, mas tem todo significado somente no contexto do filme. Ele tem causa e gera consequências. Pode até não ser um grande beijo, mas existe porque está em um determinado contexto. Tem uma cena no novo filme de Jude Law que, falando assim, parece uma coisa tosca, porque o personagem começa lambendo o chantilly na boca da garota. Aos poucos, ele vai se posicionando até encontrar com os lábios dela. É muito sensual. É belíssimo'', comenta Carlos Eduardo sobre a sequência que levou três dias para ser filmada e custou aos dois atores a fábula milionária de 150 beijos...é mole...
Praticamente uma saga, uma odisséia a produção desse beijo. Um gesto de carinho que é praticamente um personagem do cinema e que estreou em 1896 no filme de título sugestivo: ''O Beijo''.
Depois que John Rice e May Irwin daram a bitoca pioneira, o ator John Barrymore em ''Don Juan'' (1926) arrasou em cena ao beijar 191 mulheres diferentes.
Muito antes de Ang Lee em''O Segredo de Brokeback Mountain'' (2005) dirigir o beijo gay no encontro de Ennis Del Mar (Heath Ledger) e Jack Twist (Jake Gyllenhaal Hollywood), em 1927, o filme ''Asas'' já exibia o primeiro beijo entre homens - o que não representou a primeira bandeira nas cores do arco-íris hasteada na telona, já que o gesto foi no rosto, demonstrando amor fraterno entre os personagens.
Porém, o beijo gay de Lee papou o MTV Movie Award pela cena do reencontro do casal de cowboys.
Se houvesse uma categoria no Oscar para premiar a inocência ''A Dama e o Vagabundo'' (1955), da Disney, levaria a estatueta com a clássica cena dos cãezinhos se beijando acidentalmente ao dividirem um fio de macarrão.
Beijo é bom em qualquer lugar, até no espaço, como o da princesa Leia (Carrie Fisher) e Han Solo (Harrison Ford) em ''Star Wars - O Império Contra-Ataca'' (1980).
Nenhum ranking dos melhores beijos do cinema poderia deixar de fora ''Cinema Paradiso'' (1988), que faz uma seleção dos maiores selinhos, beijinhos e beijões da história cinematográfica.
Porém, na telona nem todo beijo é o que parece. Apesar de aparentemente apaixonado, um dos mais clássicos boca com boca na telona, no filme ''...E o Vento Levou'' (1939), dizem que a mocinha Vivien Leigh não gostou de selar os seus lábios nos do galã Clark Gable por causa do mau hálito do ator. Argh, que nojo...
Mesmo considerando que em cada gota de saliva trocada em um beijo há 2 bilhões de bactérias diferentes, na vida real, na telona ou na telinha, todo mundo quer beijar muuuuitooo.
Quem inaugurou a estratégia para levantar a audiência na base do beijo na TV brasileira, depois do casa/separa comum a todo folhetim que se preze - foi Vida Alves e Walter Foster em ''Sua Vida me Pertence'', de 1951.
Após o pioneirismo da novela, os telespectadores também choraram e foram à forra com os beijos de Carina (Elizabeth Savalla) e André (Tony Ramos), em ''Pai Herói'' e com os milhares de outros capítulos nos folhetins que se multiplicaram ao longo da história da TV brasileira.
Em matéria de beijos, a TV ainda é mais conservadora que o cinema. Somente em 2008, na minissérie ''Queridos Amigos'', a telinha exibiu o primeiro beijo gay. Se bem que já havia ensaiado a polêmica na novela ''América'' (2005).
Beijo na boca não é coisa do passado, nem no cinema ou na telinha, quanto mais na vida real.
No Dia Internacional do Beijo, depois dessa seleção de algumas das melhores beijocas produzidas pela arte, o Oscar de melhor beijo vai para: aquele que a gente dá no escurinho do cinema.

mockup