Como uma onda no mar, a carreira de Lulu Santos é pródiga em oscilações. Seu novo CD sumariza essa trajetória reunindo o pop/rock de costume e incursões pela eletrônica, sambajazz e até marchinha de carnaval.
‘‘Programa’’ (BMG), 17º álbum do cantor e compositor carioca, chega às lojas duas décadas depois de sua estréia fonográfica e dois anos após o lançamento do revisionista ‘‘Acústico MTV’’. Traz uma parceria com Ed Motta e participações dos Paralamas do Sucesso e Marcos Valle.
Lulu assina 11 das 13 faixas do repertório. A balada ‘‘Todo Universo’’ (‘‘todo universo /p’ra gente se perder / não foi suficiente / olha e vê / fez a minha órbita / passar rente de você / e a tua gravidade me prender’’), já em execução nas rádios, não foi escolhida à toa para divulgar o trabalho: é a que mais se assemelha aos hits do artista.
Embora calcado no formato que consagrou o cantor, o CD cataloga referências abrangendo elementos de black music setentista em ‘‘Amén’’ e ‘‘Salto Fino’’, ska em ‘‘Figurativa’’, sambajazz em ‘‘Walkpeople’’, marchinha em ‘‘Eros e Tanatos’’, rap em ‘‘A Mensagem’’ (inspirado em Gabriel O Pensador, que é inclusive citado na letra) e trip hop em ‘‘Luca’’ (com influência gritante do Massive Attack).
Na instrumental ‘‘4 do 5’’, Lulu toca ao lado dos três Paralamas incluindo Herbert Vianna na guitarra. A faixa ainda fecha o disco em versão remix e clima de jam session com participações adicionais de Alex de Souza (piano Rhodes e vocais), Armando Marçal (congas, batá e shekere) e Christian Oyens (samples e vocais). Tanto ecumenismo, porém, soa inofensivo e dispensável. Lulu convence mais como hitmaker de FM.

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