Sob uma cortina de fumaça
Segundo pesquisas, publicidade
de cigarros atinge mais os jovens
Cleide Cavalcante
Agência Estado
Estudos divulgados nos Estados Unidos e no Brasil indicam que o número de jovens que fumam está crescendo. Segundo o Journal of American Medical Association, pesquisadores da Universidade da Califórnia entrevistaram um grupo de jovens não-fumantes em 1993 e voltaram a entrevistá-los recentemente. A maioria disse que passou a fumar por influência da publicidade. Outras três universidades americanas chegaram ao mesmo resultado depois de entrevistas com os jovens leitores de 40 revistas. No Brasil, uma pesquisa do Ministério da Saúde apontou que a maioria dos brasileiros começa a fumar na faixa dos dez aos 17 anos, enquanto a Universidade Federal de São Paulo (antiga Escola Paulista de Medicina) concluiu que 60% dos fumantes adultos começaram no vício bem antes dos 16 anos e 30% deles aos 13 anos.
Na opinião do pneumologista paulistano Jorge Nakatani, a melhor forma de se conscientizar os jovens na luta contra o fumo é a educação na escola. Segundo ele, o número de fumantes nos Estados Unidos diminuiu exatamente em função da educação das crianças na escola.
De acordo com o pneumologista, a nicotina é considerada pela literatura médica como uma substância que causa dependência física e psicológica. O oncologista Drauzio Varella concorda e vai além: ‘‘Só o crack vicia mais que a nicotina’’. De acordo com os especialistas, a nicotina é uma das duas mil substâncias altamente tóxicas encontradas no cigarro e pode causar câncer de pulmão e enfisema.
De acordo com pesquisadores do Ministério da Saúde, na faixa dos 10 aos 17 anos o jovem se socializa e estabelece sua identidade no grupo social a que pertence, e aí passa a ser influenciado com mais facilidade. Especialistas entrevistados pelo Journal of American Medical Association afirmam que, numa análise das publicações com anúncios sobre cigarros, não é possível saber se os fabricantes querem atingir uma determinada faixa etária. Mas, por precaução, eles defendem a proibição desse tipo de anúncio em todas as publicações.

mockup