Curitiba - Guardar ou não a virgindade aos 21 anos é o tema da comédia ‘‘Sob o Signo da Virgem’’ que estreou ontem no Teatro Lala Schneider, em Curitiba. Através do riso, o espectador toma conhecimento do cenário predador da capital paranaense na primeira metade da década de 80 e os conflitos da adolescente Branca Aurora entrando nesse mundo.
O texto da peça foi originalmente escrito para ser publicado na revista portuguesa SE7E e se chamava ‘‘Perdi a virgindade...alguém a achou?’’. Mais tarde Branca se envolveu com teatro e embora tenha sido convidada para fazer os figurinos apenas, como é habitual na sua vida, se envolveu passionalmente com o trabalho. No final acabou se responsabilizando pela caracterização, pelos endereços, pelo cenário e até pelas ilustrações e texto do programa, já que é artista plástica formada pela Belas Artes.
‘‘Essa descoberta da linguagem teatral foi uma paixão que me levou a querer desenvolver mais alguma forma de expressão dentro dessa área. Depois tive a idéia de adaptar o texto original para o teatro. Para isso li muitas peças clássicas e conhecidas, tudo o que encontrei à mão, na verdade’’, explica, admitindo ter se inspirado no seu passado para construir toda trama.
Os nomes dos verdadeiros personagens foram trocados para evitar qualquer problema no futuro. Mas as apostas entre a turma que viveu o período já começaram. Ângela é sem dúvida Branca Aurora. Rafael tem a letra inicial do nome do baixista Renato Guege, atualmente no Beijo AA Força e ex-integrante da Contrabanda. Fabiano pode ser Frank - Valmor Goes - guitarrista do Maxixe Machine e também ex-membro da Contrabanda. Ambos tiveram um breve namoro com Branca.
Graças a esses envolvimentos a música tem um papel importante no texto. A letra da música Pé Frio, hit da banda curitibana Contrabanda no início dos anos 80, provocou uma verdadeira reviravolta na vida da autora: ‘‘Quero seu hímem, malaia/Escalar três montanhas/Antes que o sol se caia/E do alto daquelas neves/Soltar meu berro abominável/Para aquela a quem/Para aquela a quem/Todo o meu ser serve/Pedra suspensa enorme/sobre meu só/coração mole’’, cantava o grupo que expulsou a ‘‘Música dos Bichos Grilos’’ para longe de Curitiba.
‘‘Ela foi composta, pelo que eu ouvi dizer na época, justamente para mim (ou devo dizer, para o meu hímen ?!), e pedi ao Rodrigo Homem e ao Luís Ferreira, co-autores da música com o Sérgio Viralobos, que fizessem a trilha sonora e sonoplastia. Pedi para que usassem a música - que é muito longa, complexa e rica em harmonias - em diferentes ritmos (como na trilha do filme Último Tango em Paris) adaptados aos vários personagens. Ficou além de todas as minhas expectativas!’’, disse Branca.
A peça fez sua pré-estréia no Fringe, mostra do Festival de Teatro de Curitiba, no dia 29 de março. Apesar de não ser uma data ideal, a produtora Mazé Portugal considerou essa participação como um ‘‘aquecimento’’ para esta temporada de três semanas - agora o espetáculo fica no Lala até 19 de maio.
Os atores que participam do Sob o Signo da Virgem são na sua maioria principiantes. ‘‘Nenhum deles é conhecido, apesar de termos uma Spoladore. Acho que depois desta peça, passarão a ser. É muito gratificante vê-los agarrar uma oportunidade como essa de representarem algo totalmente novo’’, aposta Mazé, que vive na ponte aérea Curitiba-São Paulo, onde trabalha com o Grupo Satyros de Teatro.
O diretor é Mauro Zanata que pegou a linguagem de banda desenhada e adaptou-a para os padrões teatrais brasileiros - a linguagem era portuguesa demais. Participam os atores Danilo Correia, como Rafael; Ricardo Cestaro, namorado da amigo; Leandro Borgonha, Fabiano; Anne Sibele Celli, Angela e Janaína Spoladore no papel de Sombra, o anjo da tentação.
Serviço: ‘‘Sob o Signo da Virgem’’ - Teatro Lala Schneider (Rua 13 de maio, 629) de sexta a domingo, às 21 horas. Até dia 19 de maio.
Direção de Mauro Zanatta. Produção de Mazé Portugal. Texto e figurino de Branca Aurora. Iluminação de Rodrigo Ziolkowski. Cenário de Daniel Marques. Com Anne Sibele Celli, Janaína Spoladore, Danilo Correia, Leandro Borgonha e Ricardo Cestaro. Ingressos a R$ 10,00; R$ 8,00 (com bônus) e R$ 5,00 (estudantes, classe e maiores de 65 anos).

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